Por Alberto de Avellar - .Simões Filho nunca decepciona quando o assunto é roteiro digno de série dramática. Se alguém ainda duvida de que nossa cidade poderia facilmente virar uma produção bem avaliada — mistura de suspense administrativo com pitadas de comédia involuntária — eis mais um episódio fresquinho.
A bola da vez atende pelo nome de Residencial Cristo Rei 1 e Cristo Rei 2. As obras estão praticamente na reta final: paredes erguidas, estruturas avançadas, expectativa crescente… só um pequeno detalhe parece ter ficado pelo caminho — o tal do alvará de construção.
Sim, aquele documento básico. Aquele que, em tese, deveria vir antes do cimento, dos blocos e da pintura.
Mas calma… deve ser apenas um novo conceito urbanístico: primeiro constrói, depois se resolve a papelada. Modernidade pura!
E então fica a pergunta que ecoa pelas ruas do município:
Por que esse alvará ainda não foi emitido?
A alavra está com a SEDUR — Secretaria de Desenvolvimento Urbano. Afinal, é justamente a Prefeitura Municipal quem concede a licença para a execução de obras dessa natureza.
E não estamos falando de um puxadinho de fim de semana.
Trata-se de um empreendimento executado com recursos da Caixa Econômica Federal, portanto vinculado a um programa habitacional que carrega o selo do Governo Federal. Traduzindo: dinheiro público, responsabilidade redobrada e — espera-se — fiscalização rigorosa.
Ou, pelo menos, deveria ser assim.
Se confirmada qualquer irregularidade administrativa, o assunto deixa de ser apenas burocrático e passa a entrar no campo das perguntas incômodas:
• Houve falha no acompanhamento da obra?
• A prefeitura foi omissa?
• O processo está parado em alguma gaveta com vista panorâmica para o esquecimento?
• Ou estamos diante de mais um daqueles mistérios que só a administração pública consegue explicar… ou não?
Diante do burburinho, seria elegante — e até pedagógico — que o prefeito Del viesse a público esclarecer a situação. Transparência, como todos sabemos, não combina com silêncio.
Enquanto isso, o relógio corre.
As inscrições para as unidades devem ser abertas em breve, voltadas para famílias com renda de até dois salários mínimos. Estamos falando de mais de 400 moradias — ou seja, mais de 400 sonhos que não podem ficar presos na burocracia, nem correr o risco de nascer sob uma nuvem de dúvidas.
O Bom Velhinho, que já viu muita novela administrativa virar reprise, faz apenas uma recomendação amistosa:
Vamos correr para regularizar — antes que alguém precise explicar o inexplicável.
Porque, no final das contas, obra pública não é palco para improviso — muito menos para engenharia documental criativa.
A população agradece. E acompanha. De perto.
E, claro, espera saber quem serão os verdadeiros beneficiados — que não sejam, mais uma vez, os apadrinhados.

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