Por Alberto de Avellar — Hoje não tem rodeio. O assunto é sério demais para floreios.
Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, parece ter se transformado em uma verdadeira terra sem lei, onde a ordem dos fatos desafia não apenas o bom senso, mas os próprios pilares da administração pública. A Constituição Federal, ao que tudo indica, virou peça decorativa — especialmente quando lembramos do artigo 37, que estabelece os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
Por aqui, tais fundamentos soam cada vez mais como ficção.
A mais nova demonstração desse cenário beira o inacreditável: uma cooperativa, cercada de questionamentos sobre sua regularidade e frequentemente alvo de críticas pela má qualidade dos serviços prestados, simplesmente anuncia o aumento da tarifa do transporte público — como se tivesse poder para tanto.
E a pergunta que ecoa nas ruas é inevitável:
Desde quando cooperativa define preço de passagem sem debate público, sem estudo técnico e sem a manifestação oficial da Secretaria de Mobilidade Urbana (SEMOB) ou do próprio prefeito, Devaldo Soares?
Se isso não é a institucionalização do improviso, fica difícil explicar o que seria.
O transporte público, vale lembrar, não é um favor — é um serviço essencial, diretamente ligado ao direito de ir e vir do cidadão. Qualquer reajuste deveria ser precedido de transparência, critérios técnicos e, sobretudo, respeito à população que já enfrenta ônibus lotados, atrasos constantes e um sistema frequentemente apontado como caótico.
Mas, em Simões Filho, a lógica parece invertida: primeiro se aumenta, depois — talvez — se explique.
Diante de um episódio dessa magnitude, o silêncio das autoridades causa estranheza. Onde está o posicionamento oficial? Houve autorização formal? Existe estudo tarifário? Quem fiscaliza?
Perguntas simples — mas que continuam sem resposta.
E quando o silêncio se torna regra, abre-se espaço para a desconfiança.
Não custa lembrar: o transporte coletivo envolve concessões, permissões e obrigações legais. Não se trata de uma decisão privada tomada entre quatro paredes — ou, ao menos, não deveria ser.
Se continuarmos nesse ritmo, será preciso acionar não apenas os órgãos de controle, mas talvez até os “cientistas da NASA” para compreender que fenômeno administrativo é esse capaz de transformar o extraordinário em rotina.
E fica o alerta:
Quando ninguém explica — e tudo acontece — quem paga a conta é sempre o povo.
Simões Filho merece respostas. E merece, acima de tudo, respeito.

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