Por Alberto de Avellar - Meus atentos inocentes e inquietos leitores de Simões Filho — essa cidade icônica dos absurdos, onde rumores se transformam em verdades na velocidade da luz e onde quase tudo é previsível — basta dar uma “olhaDinha” no retrovisor para perceber que o velho copiar e colar continua sendo a ferramenta preferida da política local.
Vocês se lembram da célebre entrevista do ex-vereador Vel do Povo, quando ainda brilhava nos holofotes do escândalo da “Cozinha do Prefeito”? Na ocasião, Vel disparou uma daquelas frases que não envelhecem jamais:
“Ataíde, para ser nomeado no governo Dinha, basta comprar um chip de celular de dez reais e meter o pau no governo. No outro dia, o cabra já está nomeado.”
Pois bem… como toda boa novela reprisada no horário nobre da política simõesfilhense, a história parece se repetir.
Após uma queda brusca de credibilidade — consequência dos inúmeros escândalos que passaram a orbitar seu nome — o ex-prefeito Diógenes Tolentino, o nosso conhecido Dinha, vê seu capital político derreter mais rápido que picolé sob o sol do meio-dia.
E como se não bastasse, estamos a apenas nove meses das eleições de outubro. A reeleição da deputada — outrora chamada de “Voz da Bahia” — hoje soa menos como um coro popular e mais como um eco distante em um auditório vazio.
Dinha, o inominável devoto do poder e — dizem as más línguas — também das cifras públicas, deu aquela tradicional espiada no retrovisor e decidiu ressuscitar seus velhos “arcanjos renegados pela sociedade simõesfilhense”, agora rebatizados com uma roupagem celestial: “querubins sem asas, caídos do céu”.
O novo alvo? O homem do “Novo Tempo”.
Um personagem que, diga-se de passagem, também não economiza nas velhas práticas da política — sobretudo quando o assunto é acolher ex-aliados do seu antigo mentor, aquele mesmo que profetizou em tempos passados:
“O Pequeno Gigante do Cristo Rei é o escolhido por Deus, o milagre da política.”
Milagre ou metamorfose — eis a questão.
O fato é que o atual prefeito parece ter tomado gosto pelo poder. E mais: ao que tudo indica, tratou de afastar a antiga tutela com uma habilidade quase cirúrgica. Hoje, a chave dos cofres públicos parece morar em outro bolso — bem distante das mãos do velho profeta.
Nesse novo tabuleiro, a reeleição da deputada, com seus delicados “sapatinhos de cristal” e conhecida afeição por uma boa carona política, vai se tornando uma travessia cada vez mais íngreme.
Mas não se enganem.
Dinha ainda conta com seus fiéis “arcanjos renegados” — a última fronteira de resistência digital — sempre prontos para atacar, difamar e tentar desconstruir reputações.
E agora, ao que parece, o alvo não são apenas os adversários políticos, mas também veículos de comunicação. Alguns resistem, outros se alinham, e há ainda aqueles que orbitam onde o patrocínio é mais generoso.
Porque, no fim das contas, a regra — segundo os bastidores — continua simples:
Comprou um chip, criticou o governo, garantiu uma cadeira.
Quase um plano de carreira informal.
Enquanto isso, sigo por aqui no meu autoexílio político, cuidando das plantas, passeando com os cachorros e observando — com a serenidade de quem já viu muitos capítulos dessa série — os movimentos do poder.
Mas aviso aos navegantes: nesta semana, na Rádio Peão News, com transmissão pelo YouTube, pretendo abrir a caixa-preta do chamado “Gabinete do Ódio”. Com nomes, sobrenomes e provas — tudo devidamente organizado — porque prudência nunca é demais quando se trata de personagens que, dizem por aí, possuem talentos capazes de fazer até o diabo pedir consultoria.
Aguardem.
Na política de Simões Filho, o próximo capítulo nunca demora — e quase sempre supera o anterior.

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