Por Alberto de Avellar – É verdade, meus inquietos, nervosos e já calejados pensantes de Simões Filho — essa cidade icônica dos absurdos, onde tudo pode acontecer, inclusive nada. A tão esperada reforma administrativa, cantada em verso, prosa e release oficial, pode ser perfeitamente resumida em uma expressão bem popular: trocar seis por meia dúzia. Ou, sendo mais generoso, trocar seis por menos de meia dúzia.
Segundo antecipou o radialista Gordinho da Bahia (Ataíde Barbosa), nos potentes microfones do Panorama de Notícias, na Simões Filho FM, o Pequeno Gigante do Cristo Rei deverá, nos próximos dias, convocar a imprensa local para anunciar a tão falada reforma administrativa.
Mas, como em Simões Filho a Rádio Peão sempre chega antes da coletiva, Ataíde já adiantou algumas jogadas desse xadrez político que mais parece dominó em mesa de bar: as peças são as mesmas, só mudam de cadeira.
Vamos ao enredo digno de comédia pastelão administrativa:
Geasy, atual secretário de Cultura, assume a SEINFRA;
Na Cultura, entra o atual secretário de Habitação Ninho;
Já a Habitação ficará com Gabriel Marques, que hoje é secretário da própria SEINFRA.
Entenderam alguma coisa?
Eu também não.
No fim das contas, fica tudo como dantes no quartel-general da Casa Branca de Dinha/Del, onde a caneta muda de mão, mas a tinta continua sendo a mesma.
Existe a possibilidade de Alisson Ramos, o "Arganjo renegado pela sociedade simõesfilhense de assumir a Ascom ou a posição de "Homem do Prefeito" no lugar de Nel da Vida Nova que até agora ninguém sabe o destino. (este parágrafo é pura sátira).
Outro detalhe nada irrelevante dessa “mechiDinha” administrativa: o superintendente de Habitação, David Farias, deve continuar recebendo salário da Prefeitura, mas ficará “à disposição” da deputada Kátia Oliveira, na ALBA. O mesmo roteiro seguido por Vânia Santana, ex-secretária de Comunicação, hoje acomodada na Superintendência da Secretaria de Turismo, mas que, ao que tudo indica, continua prestando assessoria de comunicação ao ex-prefeito Diógenes Tomentindo, o Dinha.
Tudo isso enquanto o grupo decide — nos corredores acarpetados da ALBA — quem será o candidato a deputado estadual: Dinha ou Kátia. Embora, segundo cochichos cada vez menos discretos, a própria deputada já tenha confidenciado a colegas que o candidato será seu amor político eterno, o inominável Dindinha, devoto fiel do dinheiro público e do poder sem prazo de validade.
E na Saúde?
Ah… a Saúde.
Até agora, ninguém sabe qual será o destino de Iridan Brasileiro, que segue como secretária de Saúde mesmo após ter pedido exoneração. O prefeito Del pediu calma, silêncio e paciência — três coisas que não curam fila de UPA, nem resolvem falta de médico, nem explicam contratos milionários sob investigação.
Outro nome citado na bolsa de apostas foi Nilton Novaes, que tratou logo de desmentir, ao vivo, no próprio Panorama de Notícias: segundo ele, não houve conversa, não houve convite e não houve nem aquele famoso “pé de ouvido”. Para ele, tudo não passa de especulação — palavra muito usada quando o governo não decide, não governa e não comunica.
Agora, resta aguardar a tal coletiva de imprensa. Se ela existir, eu vou.
Se não existir, sigo ligado na Rádio Peão News, que costuma ter mais informação quente do que o próprio prefeito do chamado “Novo Tempo com Velhas Práticas”.
Porque, no fim das contas, o que se vê é um governo que não se sustenta sozinho, que não decide sem consultar o espelho retrovisor, e que segue orbitando o seu criador.
Em Simões Filho, já está mais do que claro:
Dinha é Del.
Del é Dinha.
Trocam-se os nomes nas placas, mas o projeto é o mesmo, a lógica é a mesma e o comando continua sendo remoto.
A reforma administrativa, meus caros, não passa de um remendo político, um rearranjo de sobrevivência, uma tentativa desesperada de parecer governo — quando, na prática, é apenas a repetição do passado com nova embalagem.
E como diria o Bom Velhinho, com a língua solta e a memória afiada:
quem troca seis por meia dúzia não reforma, apenas disfarça.
A Rádio Peão segue atenta.
O povo também.

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