Sem muito rodeio, esta crise entre os Poderes Legislativo e Executivo começou quando o poderoso Dinha resolveu implodir a famosa “Onda Azul”.
E, convenhamos, distribuiu promessas para todos os lados. Sid Serra, Eri Costa, Nilton Novaes, Simone Costa… até uma vaga de vice sobrou para Jomar Paraki. No fim, porém, prevaleceu a chamada “indicação divina”: o milagre da política. O escolhido foi Devaldo Soares, o Del do Cristo Rei, apontado por muitos como o nome mais fácil de conduzir politicamente.
O aprendiz de “Tubarãozinho” assumiu a Prefeitura após uma transição que, segundo seus críticos, foi feita às pressas. Herdou uma administração cercada por dificuldades: cofres praticamente vazios, dívidas, promessas acumuladas, obras inacabadas e outras que, na ironia popular, teriam sido construídas com a tecnologia “Sorinsal”: bastou molhar para começar a se desfazer.
Enquanto isso, as promessas feitas aos vereadores ficaram pelo caminho. Faltaram cargos para acomodar os aliados dos edis, secretarias continuaram sob influência do ex-prefeito Dinha e os contratos mais importantes permaneceram concentrados no mesmo núcleo político.
Passado o primeiro ano de governo, o “Tubarãozinho” seguia, na visão de seus opositores, perdido em meio às turbulências administrativas. A pressão da população sobre os vereadores aumentava a cada dia, cobrando respostas e resultados.
A gota d’água veio quando os parlamentares perceberam que a Câmara Municipal estaria funcionando como um verdadeiro “puxadinho do Executivo”. Descobriram que o Regimento Interno havia sido alterado, retirando as regras para a constituição de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs). Além disso, segundo os críticos da mudança, a alteração referente à data da eleição da Mesa Diretora não teria sido devidamente incorporada à Lei Orgânica do Município, gerando questionamentos sobre a segurança jurídica do processo.
Na prática, a sensação entre muitos vereadores era a de que lhes restava pouco espaço para exercer plenamente a autonomia do Poder Legislativo.
Moral da história? Para muitos observadores da política local, quem continua dando as cartas não é exatamente o “Tubarãozinho” Del, mas seu principal líder político, o ex-prefeito Diógenes Tolentino, o Dinha.
Enquanto isso, os vereadores seguem “enxugando gelo”. Resta-lhes fiscalizar, fiscalizar e fiscalizar, até que decidam aprovar um novo Regimento Interno capaz de restabelecer, de forma clara e segura, as prerrogativas do Poder Legislativo e fortalecer a independência da Câmara Municipal.

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