Por Alberto de Avellar - Na sempre surpreendente Simões Filho — terra onde os ventos da política mudam mais rápido que sinal aberto em avenida — um fenômeno curioso começa a chamar a atenção da população: a repentina transformação comportamental do superintendente de trânsito, Tarcísio Almei
"OU SERIA O MILAGRE DO ANO DE CAMPANHA ELEITORAL A VISTA PORQUE NO CREDOTO VAI SAIR CARO".
Sim… aquele mesmo, o Superintendência da SuperTrans, extremamente legalista defensor ferrenho da moralidade que o pai e agente público na Semop e o tio Secretário da Sesp mas como no Governo Dinha, "Nepotismo" era carta fora do baralho da Administração Pública e no Governo Del do "Novo tempo" a coisa que é uma coisa está indo pelo mesmo caminho.
O gestor que, não faz muito tempo, falava com a firmeza de quem parecia ter descoberto a fórmula mágica para organizar a cidade: multa, reboque e estacionamento pago. Uma espécie de “choque de ordem” versão municipal, onde primeiro se punia — e depois, talvez, se explicava.
Mas eis que o calendário avança… e, como num passe de mágica digno dos melhores roteiros políticos, surge um novo Tarcísio.
Mais leve.
Mais pedagógico.
Quase um filósofo da mobilidade urbana.
Agora o discurso é outro: educar, orientar, cuidar das pessoas.
Que beleza!
Se não fosse a memória recente da cidade — e o simõesfilhense pode até esquecer onde guardou a chave de casa, mas dificilmente esquece quando mexem no bolso — talvez ninguém estranhasse tamanha mudança de humor administrativo.
O passado que insiste em buzinar
As redes sociais, que não perdem uma infração sequer, ficaram meses congestionadas de denúncias contra a atuação da Superintendência. Motoristas indignados, comerciantes apreensivos e aquela sensação generalizada de que qualquer parada mais longa poderia terminar com um guincho como trilha sonora.
E quem não lembra do caso da empresária Lia?
Dona de uma loja de colchões, ela gravou vídeo, expôs sua revolta e ainda fez um apelo direto ao prefeito Del, afirmando estar sendo perseguida após ter seu veículo rebocado para o pátio do DETRAN.
Perseguição ou excesso de zelo?
Na dúvida, o povo classificou do jeito mais simples possível:
— “Lá vem o homem da multa.”
Título popular não nasce do nada. É conquista.
Ano eleitoral: tempo de milagres administrativos.
Coincidência ou não — e na política coincidências costumam ser extremamente… convenientes — essa versão mais humanizada do superintendente aparece justamente quando o clima eleitoral começa a esquentar.
Antes, a cidade parecia um laboratório para a implantação do que muitos já chamavam de “indústria da multa”.
Agora, o objetivo declarado já não é punir.
É educar.
Veja só que evolução filosófica!
Quase uma iluminação viá iluminaçãas fica a pergunta que ecoa nas esquinas, nos grupos de WhatsApp e nas filas do pão:
Por que essa sensibilidade toda não apareceu antes?
Será que descobriram, de repente, que comerciante também vota?
Que motorista é eleitor?
Que o cidadão multado entra na urna com memória perfeita?
Mistérios da ciência política municipal.
O povo observa — e anota
O maior erro de quem ocupa cargo público é acreditar que a população sofre de amnésia coletiva.
Não sofre.
Pode até silenciar por um tempo, mas registra tudo no grande HD emocional chamado eleição.
E a imagem que ficou para muitos foi a de um gestor duro, pouco dialogante e rápido no gatilho do guincho.
Agora surge o gestor conciliador.
Quase um mediador de trânsito… e de humor.
Mudança legítima?
Estratégia?
Marketing institucional?
Cada leitor tire sua própria conclusão.
O Bom Velhinho apenas observa — com sua tradicional luneta crítica — que, em Simões Filho, certas metamorfoses acontecem com impressionante precisão cronológica.
Faltando poucos meses para o julgamento mais temido da política: o voto.
Uma dica humilde do Bom Velhinho
Educar sempre será melhor que punir.
Dialogar sempre será mais eficiente que intimidar.
Planejar sempre será mais inteligente que surpreender o cidadão com medidas que afetam diretamente seu sustento.
Se essa nova versão do superintendente for verdadeira e permanente — ótimo para a cidade.
Mas se for apenas um personagem de temporada eleitoral…
Bom, o eleitor costuma cancelar séries que não convencem.
No fim das contas…
O trânsito precisa de organização.
Os comerciantes precisam de respeito.
E a população precisa — acima de tudo — de coerência.
Porque mudar é virtude.
Agora, mudar só quando a eleição se aproxima… já parece menos evolução administrativa e mais instinto de sobrevivência política.
E como diria um velho cronista desta cidade icônica dos absurdos:
O povo pode até não dirigir um carro novo…
mas sabe perfeitamente quando estão tentando lhe dar uma volta.

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