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A ODISSEIA DOS ERRANTES !!!

 


Por Alberto de Avellar — Crônicas do Bom Velhinho - É verdade, meus nobres e inquietos leitores da cidade icônica dos absurdos: a cada dia que passa, Simões Filho escreve mais um capítulo digno de figurar no mais improvável livro dos recordes municipais — aquele onde o inacreditável não apenas acontece, como também ganha transmissão ao vivo.

Existem personagens que parecem caminhar pela vida como errantes — não necessariamente por escolha própria, mas muitas vezes como resultado de trajetórias marcadas pela exclusão social, pela falta de oportunidades educacionais e pelo distanciamento dos espaços de formação cultural e profissional. Quando a base falha, a sociedade costuma cobrar resultados que ela mesma ajudou a inviabilizar.

E assim surgem figuras que orbitam o poder sem jamais tocá-lo de fato. Ocupam funções periféricas, mas alimentam egos centrais. São os “Severinos” da modernidade administrativa — fazem de tudo um pouco, opinam sobre tudo e, quando surge um microfone, transformam-se instantaneamente em especialistas de ocasião.

Feridos em suas vaidades e sedentos por visibilidade, encontram nas redes sociais e nos incontáveis grupos de WhatsApp o palco perfeito. Ali, entre filtros, curtidas e comentários apressados, nasce uma perigosa ilusão de autoridade. Tornam-se, muitas vezes, instrumentos úteis para aqueles que dominam a arte de mover peças no tabuleiro político sem jamais aparecer na fotografia.

E foi exatamente esse enredo que se desenrolou na última terça-feira (10), em um desses podcasts que vivem da matemática simples da audiência: quanto maior o constrangimento alheio, maior o pico de ouvintes — e, claro, melhor para os contratos publicitários.

Reuniram-se personagens com mais disposição para falar do que preparo técnico para sustentar o que diziam. O resultado foi um espetáculo quase circense, daqueles em que o público não sabe se ri, se lamenta ou se apenas compartilha o vídeo.

Porque, convenhamos: em todo picadeiro sempre há quem brilhe — e raramente é o domador e sim o "palhaço".

O momento mais emblemático veio quando o apresentador, talvez tomado pelo entusiasmo ou pela necessidade de dar tempero à conversa, anunciou os convidados como “os homens da comunicação do governo Del/Dinha.”

Pronto. Estava aberto o portal do constrangimento institucional.

A frase, dita com a leveza de quem apresenta uma atração musical, levantou uma questão nada leve: estariam aqueles senhores oficialmente investidos de tal responsabilidade? Ou teríamos assistido a uma curiosa encenação administrativa — um teatro onde os figurantes, empolgados com a iluminação, passaram a acreditar que eram protagonistas?

Sem perceber — ou percebendo tarde demais — alguns deixaram que a vaidade falasse mais alto que a prudência. E quando o ego assume o volante, a responsabilidade costuma ir no porta-malas.

O episódio, ao que tudo indica, acabou transformando uma tentativa de autopromoção em uma verdadeira “laranjada” comunicacional. Daquelas que azedam antes mesmo do primeiro gole.

No centro dessa saia justa está o sempre estratégico campo da Comunicação — território onde improviso não deveria ter vez e onde representação institucional não é fantasia que se veste conforme a ocasião.

Resta agora saber qual será a posição oficial do Gabinete do Secretário de Governo, a quem cabe não apenas coordenar as áreas de Comunicação e Cerimonial, mas também preservar a liturgia dos cargos públicos — essa velha senhora que anda cada vez mais esquecida nas repartições do Novo Tempo.

Um esclarecimento à opinião pública cairia muito bem. Melhor ainda se viesse acompanhado de uma apuração cuidadosa, porque episódios assim não podem se tornar parte do folclore administrativo da cidade.

No fim das contas, fica a lição que Simões Filho insiste em nos ensinar:

por aqui, o absurdo não pede licença — ele agenda entrevista.

E nós, meros cronistas dessa terra onde a realidade frequentemente supera a sátira, seguimos atentos… porque, ao que parece, a próxima odisséia já está sendo ensaiada.

E como diria o velho observador do banco da praça:

 Nesta cidade, às vezes o palco é pequeno… mas o espetáculo é sempre grandioso.

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