Por Alberto de Avellar - Em Simões Filho, a cidade icônica dos absurdos, até quando a placa muda, a porta continua sendo a mesma. E foi assim que, após a saída oficialmente oficializada de Iridan Brasileiro, a Saúde municipal ganhou… uma nova velha conhecida dos corredores do poder e, o Bom Velhinho tinha cantado está pedra em matérias anteriores.
Sai Iridan. Entra Ananda.
Mas não se enganem, meus inocentes e inquietos leitores: o roteiro não mudou, só trocaram a atriz principal.
A Prefeitura correu — como sempre corre quando a pressão aperta — e publicou o Decreto nº 051/2026. Tudo muito rápido, muito organizado, muito ensaiado. Afinal, na Saúde não pode haver “vácuo”, principalmente quando o controle sempre teve dono certo.
E lá vem ela: Ananda Vitória dos Santos Gonçalves, agora secretária interina de Saúde. Interina no papel. Definitiva na confiança.
Membro da Igreja Betesda, amiga pessoal do ex-prefeito Dinha, figura de trânsito livre no círculo íntimo de Kátia Oliveira, Ananda chega com aquela credencial que em Simões Filho vale mais que currículo, mais que experiência técnica, mais que qualquer plano de governo: lealdade.
Não se trata de fé — que fique claro. Fé é sagrada.
O problema, meus caros, é quando a gestão pública vira extensão de altar, gabinete vira sacristia e decisões administrativas passam primeiro pelo “amém” dos bastidores políticos.
Iridan sai pela porta lateral do silêncio institucional. Não houve coletiva, não houve explicação clara, não houve balanço de gestão. Apenas o velho método: muda-se a peça, preserva-se o tabuleiro.
A pergunta que ecoa nas UBS, nos corredores do hospital e na boca do povo é simples:
Muda o comando ou só muda o nome na porta?
Porque a Saúde de Simões Filho não sofre de falta de secretário. Sofre de excesso de donos.
Donos de contratos, donos de decisões, donos de silêncios.
O Bom Velhinho aqui, língua solta e memória afiada, observa de longe com aquele sorriso torto de quem já viu esse filme antes — e sabe que o final costuma ser o mesmo, só com figurino novo.
Que Ananda venha.
Que trabalhe.
Que prove independência.
Mas o povo, calejado, já aprendeu a ler sinais.
E quando a mudança nasce dentro da mesma bolha, com as mesmas amizades e os mesmos padrinhos, dificilmente é mudança. É só continuidade bem maquiada.
Em Simões Filho, meus amigos, até na Saúde a reza muda…
mas o santo continua sendo o mesmo.

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