Por Alberto de Avellar – Seguindo a saga “Simões Filho, a cidade icônica em absurdos” no campo das Políticas Públicas, hoje extrapolo pela primeira vez os limites do município para comparar o cenário nacional com o caos que vivemos aqui. Sou bairrista, é verdade, mas na conjuntura atual, o Brasil reflete Simões Filho – ou será que Simões Filho reflete o Brasil?
Do ponto de vista constitucional, todo aquele que desrespeita a lei se enquadra como marginal. Não importa se furtou um ovo no supermercado ou desviou milhões dos cofres públicos: o crime, em sua essência, é o mesmo. Mas há um tipo de crime silencioso, contínuo, devastador, que mata muito mais: o abandono da saúde pública.
E, pior, esse abandono vem embalado em fardos de Fake News, o que o Direito já classifica como “terrorismo doméstico” — manipulação calculada para induzir ao erro os menos informados. Para o Código Penal, nada mais é do que estelionato político, aquele que vende ilusões enquanto entrega dor e morte.
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QUEM SÃO OS HERÓIS E QUEM SÃO OS MITOS?
No Brasil, enquanto muitos gritam “Lula ladrão”, ignoram que ele foi absolvido em três instâncias, inclusive no STJ, e apontado como um dos 25 líderes mais influentes do mundo pela imprensa internacional.
Já o “Messias”, o “mito”, enfrenta condenação de 27 anos, segundo a própria Corte Superior.
Mas vamos ao que interessa: em Simões Filho os mitos são outros. Aqui, temos nossas próprias lendas vivas, exaltadas em versos, jingle, santinho e promessas. E, junto a elas, uma facção corporativista de políticos – e o dicionário é claro: quando mais de três se unem para um mesmo fim, temos formação de quadrilha.
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O CAOS NA SAÚDE PÚBLICA DE SIMÕES FILHO — A VERDADE QUE MATA
Enquanto as narrativas mentirosas dos grupos políticos tentam convencer a “Gente Boa da Terra Boa” de que “a saúde está melhorando”, a realidade nos corredores do Hospital Municipal, das UPAs e das unidades básicas é cruel:
– falta médico;
– falta insumo;
– falta leito;
– falta gestão;
– sobra morte.
As filas da saúde pública matam mais do que o tráfico — e não é exagero retórico. Mortes por falta de atendimento, por demora, por negligência administrativa são a verdadeira epidemia do município.
E quem são os responsáveis?
Aqui não há mistério, nem teoria da conspiração:
1. O ex-prefeito Diógenes Tolentino – DINHA
O “deus da propaganda”, mestre das obras faraônicas sem funcionalidade, entregou o sistema de saúde a empresas terceirizadas milionárias enquanto a população agonizava nas filas.
Sob sua gestão, a saúde virou vitrine eleitoral – e não política pública.
Faltou assistência, sobrou contrato.
2. O atual prefeito Devaldo Soares – DEL
Del prometeu renovação, mas entregou continuidade.
O sistema permanece afundado, com o agravante de que a população já cansou de esperar.
Sua gestão parece seguir o manual deixado por Dinha: a saúde é apenas um problema de comunicação, e não um problema real.
3. A secretária de Saúde Iridan Brasileiro
Comandante de uma pasta milionária e estratégica, assiste a tudo como se fosse uma mera secretária de gabinete.
Não há plano, não há diagnóstico, não há reorganização.
A saúde, sob sua condução, transformou-se em um imenso balcão de justificativas e desculpas.
4. A FABAMED – A EMPRESA QUE FATURA MILHÕES TODO MÊS
Eis o coração do problema.
A empresa terceirizada responsável por gerir unidades e serviços de saúde leva milhões mensalmente dos cofres públicos, enquanto o povo leva horas de espera, falta de atendimento e, muitas vezes, o pior desfecho: a morte.
Quando o serviço é privatizado, mas o controle público é frouxo, negligente e politizado, o resultado é inevitável: corrupção, desperdício e abandono.
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A MAIOR QUADRILHA POLÍTICA É A QUE MATA EM SILÊNCIO
É preciso dizer com todas as letras:
Não é o tráfico que mais mata em Simões Filho.
Não é a violência urbana.
É a fila da Saúde Pública.
E isso tem nome, sobrenome e assinatura:
– os políticos que aprovam os contratos;
– os gestores que não fiscalizam;
– os prefeitos que fazem vista grossa;
– as empresas que lucram com a dor;
– e os fantoches digitais que espalham Fake News dizendo que está tudo bem.
Simões Filho não sofre apenas com corrupção financeira.
Sofre com corrupção humana, aquela que desumaniza, que transforma vidas em estatística, que trata gente como desperdício.
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A QUESTÃO CENTRAL...
Se existe um contrato, uma empresa, uma estrutura que falha todos os dias, por que ela continua recebendo milhões?
Por que a Câmara de Vereadores aprovou e continua aprovando?
Por que não há fiscalização real?
A resposta é simples: porque existe conveniência política.
E conveniência política é a mãe de toda quadrilha.
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CONCLUSÃO
Enquanto os poderosos brincam de governar, de posar para fotos, de enganar com discursos e lives, o povo sofre, sangra e morre nas filas.
E a pergunta que não quer calar:
Quem mata mais?
Os criminosos das ruas ou os criminosos do colarinho branco que deixam o sistema de saúde colapsar?
A resposta é dura, mas necessária:
em Simões Filho, os maiores culpados têm mandato, salário público e agenda política.
E o povo?
O povo segue morrendo — silenciosamente — enquanto a quadrilha corporativista segue faturando.

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