Quem está de fora, muitas vezes, consegue avaliar melhor o campo de batalha…
Sim, é isso mesmo: “campo de batalha”.
De um lado, o povo sofrendo com os péssimos serviços ofertados na saúde pública municipal. Do outro, aqueles que deveriam estar preocupados justamente com a qualidade dos serviços públicos — e que recebem altos salários para isso — curtindo.
Quem, na Bahia, no Brasil e até no mundo, não conhece o “modo chicleteiro” de ser?
É quando os malhados, as patricinhas e os mauricinhos de cara rosada saem do playground e tomam as avenidas durante os dias de Carnaval. Fazem o auê, batem, bebem, fumam, cheiram, destroem patrimônio público e o escambau…
Depois, somem!
E o pior: acabam virando exemplo para os pobres emergentes, que não têm onde cair mortos, mas estão ali para idolatrar os “caras rosadas”.
E é justamente isso que, na minha visão, está ocorrendo em Simões Filho com as famosas Caminhadas da Onda Rosa.
É gente bonita, cheia de looks e modelitos recém-saídos das lojas, maquiagens caprichadas, cortes de cabelo, tênis de marca e celular na mão para selfies e vídeos, com transmissão ao vivo direto da avenida.
E as autoridades?
Estas entraram no modo “vale-tudo”.
A Bíblia é substituída pela latinha de cerveja bem gelada. As dancinhas, com direito a ir até o chão, viraram quase lei. Caras e bocas, biquinho de piriguete e pose de gogoboy parecem ter se transformado em marca registrada.
E o pobre?
Este continua correndo atrás da velha nomeação…
Quando a onda passa, o que sobra mesmo é para os garis: toneladas de santinhos, praguinhas, latas de cerveja, garrafas PET e todo tipo de lixo espalhado pelas ruas. Isso sem falar na quantidade de adesivos colados em postes, fachadas e até na casa dos outros para alguém limpar depois.
E, neste Carnaval fora de época, temos também a nossa versão da Mudança do Garcia: a oposição.
Denuncia, reclama, processa…
E não dá em nada!
Todo mundo aparece quando o calo aperta, mas ajudar de verdade, que é bom…
Nada!
Enquanto isso, o Bom Velhinho está por cá, no modo de espera, observando atentamente para ver o tamanho da confusão que tudo isso ainda vai dar…
Por Alberto de Avellar — Crônicas do Bom Velhinho

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