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A PALAVRA DE DEUS E A POLÍTICA NÃO SE MISTURA !!!


Estamos vivenciando, em Simões Filho, um dos momentos mais delicados dos 65 anos de emancipação política do município. São 9 anos e 9 meses de duas gestões que se apresentam como “evangélicas”, mas que, na visão deste cronista, deixaram o principal personagem dessa história — o povo — enfrentando pobreza, dificuldades e serviços públicos que estão longe daquilo que a população merece.

E isso nos leva a uma reflexão sobre a própria Palavra de Deus:

“Amai-vos uns aos outros como a si mesmos!”

Mas, em Simões Filho, diante de tantas denúncias, reclamações e questionamentos envolvendo a administração pública, parece que alguns inverteram o ensinamento:

“Ame o dinheiro público e deixe o povo sofrer.”

Religiões e crenças à parte, a verdade precisa ser debatida.

Até 2018, a gestão que se apresentava como evangélica, liderada pelo então prefeito Diógenes Tolentino, o Dinha, desfrutava de grande apoio popular. Foi justamente naquele período que sua esposa, Kátia Oliveira, foi eleita deputada estadual, obtendo cerca de 27 mil votos no município.

Depois da eleição de Kátia, na minha avaliação, começou uma transformação política.

Os Dez Mandamentos da Bíblia Sagrada pareciam, pouco a pouco, dar lugar aos famosos Sete Pecados Capitais.

O ponto culminante aconteceu nas eleições municipais de 2020, quando o líder de um dos maiores grupos políticos já vistos no município — e, quem sabe, até na Bahia — adotou uma postura de verdadeiro “querubim sem asas”, formando um exército de seguidores que tomou as ruas e, principalmente, as redes sociais.

O debate político passou a ser marcado por acusações, ataques, ofensas, ameaças e episódios de violência verbal, inclusive contra mulheres, enquanto a religião e a Palavra de Deus apareciam frequentemente misturadas ao discurso político.

Mesmo assim, Dinha foi novamente eleito prefeito, embalado pela promessa de tirar o povo da lama.

Em 2022 aconteceu outro fenômeno eleitoral: Kátia Oliveira, que havia recebido cerca de 27 mil votos em Simões Filho em 2018, ampliou significativamente sua votação total e conseguiu a reeleição para deputada estadual.

Chegamos, então, a 2024.

Por força da legislação eleitoral, Dinha não poderia disputar um terceiro mandato consecutivo. Ao mesmo tempo, já enfrentava desgaste político decorrente de cobranças sobre obras inacabadas, promessas não cumpridas e questionamentos relacionados à gestão municipal.

Dinha precisava fazer um sucessor.

E foi aí que surgiu um novo personagem no tabuleiro político:

Devaldo Soares, o Del do Cristo Rei.

Apresentado politicamente como “o escolhido”, “o milagre da política”, Del — até com uma alcunha de inspiração religiosa — atravessou uma eleição marcada por controvérsias e disputas judiciais e acabou eleito prefeito com mais de 40 mil votos, superando as votações anteriormente alcançadas pelo próprio Dinha nas eleições municipais.

Mas, depois de 1 ano e 9 meses de governo, o chamado “Pequeno Gigante do Cristo Rei”, na avaliação deste cronista, ainda não mostrou claramente a que veio.

E o povo, que é quem coloca seus representantes no poder por meio do voto, continua sofrendo com reclamações sobre serviços públicos em diversas áreas.

Agora estamos a cerca de 30 dias das eleições de 2026.

O cenário político mudou profundamente.

Dinha enfrenta forte desgaste e uma sucessão de denúncias, críticas e questionamentos públicos. Seu grupo político, antes apresentado como uma verdadeira máquina eleitoral, demonstra sinais evidentes de fragmentação.

O homem que já comandou praticamente todo o tabuleiro político de Simões Filho hoje enfrenta resistências até mesmo entre antigos aliados.

Nas ruas e nos bastidores da política, ganhou até um apelido nada carinhoso:

O Inominável, adorador do dinheiro público e do poder.”

É importante ressaltar, entretanto, que denúncias, suspeitas e acusações precisam ser apuradas pelas autoridades competentes, garantindo-se sempre o contraditório e a ampla defesa.

Politicamente, porém, o sinal de alerta está aceso.

A campanha de reeleição de Kátia Oliveira e a candidatura de Paulo Azi enfrentam um cenário que merece atenção, especialmente diante da reorganização das forças políticas locais. Somente as urnas poderão mostrar o verdadeiro tamanho da influência que Dinha ainda mantém sobre o eleitorado.

Quanto ao próprio Dinha, eventuais consequências jurídicas dependerão exclusivamente das decisões dos órgãos de controle e da Justiça nos processos e investigações existentes.

E Del?

Se não construir uma identidade própria, romper com os erros que a população atribui ao passado e apresentar resultados concretos de gestão, poderá acabar pagando politicamente uma conta que começou antes mesmo de assumir a Prefeitura.

Então, meus nobres, pensantes, inquietos e calejados leitores, encerro esta crônica com uma reflexão:

Política passa. Mandatos terminam. O poder muda de mãos.

A fé, entretanto, não deveria servir de escudo eleitoral, instrumento de propaganda ou justificativa para qualquer projeto de poder.

Com a Palavra de Deus não se brinca.

Muito menos se deve utilizá-la para conquistar votos enquanto o povo espera saúde, educação, transporte, infraestrutura, dignidade e respeito.

Porque, para quem realmente acredita, existe uma justiça que não depende de eleição, pesquisa eleitoral, mandato ou cargo público.

A Justiça Divina.

E, como diz a velha máxima:

Ela pode até parecer demorar, mas não falha.

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