Amigo é aquele que a gente leva do lado esquerdo do peito. E Vânia Santana é uma dessas pessoas que a vida colocou no meu caminho e que o tempo fez questão de guardar no coração.
Conheço Vânia desde sempre. Ela brincava e estudava com meus filhos nas Obras Sociais Irmã Dulce. O tempo passou, a vida seguiu seus caminhos, mas algumas amizades simplesmente permanecem.
Houve um momento, porém, em que nossa amizade ganhou um significado ainda maior.
Quando estive hospitalizado, vivendo um dos períodos mais difíceis da minha vida — e, na verdade, havia até quem apostasse se eu sairia vivo daquele hospital —, Vânia esteve presente. Nos momentos de maior fragilidade, todos os dias ela segurava a minha mão.
Foi naquele período que passei a chamá-la carinhosamente de “Minha Chapinha de Ouro”.
“Chapa” é um termo antigo usado para definir amigo, companheiro, camarada. Mas Vânia era muito mais do que uma simples “chapa”, uma amiga ou uma camarada de profissão. Por tudo que fez naquele momento, tornou-se a minha Chapinha de Ouro.
Quando me recuperei, fui trabalhar na Ascom, onde Vânia era secretária. As responsabilidades profissionais mudaram, os caminhos políticos nem sempre foram os mesmos e tivemos nossas divergências. Mas, dentro do meu coração, ela continuou ocupando o mesmo lugar: o da minha eterna Chapinha de Ouro.
E faço questão de registrar algo que considero fundamental: mesmo diante de todas as nossas divergências políticas, Vânia, como grande profissional, sempre soube separar amizade, política e trabalho, respeitando minha liberdade de imprensa e o meu direito de expressar aquilo em que acredito.
Isso também é amizade. Isso também é respeito.
Agora, ao completar 41 anos, Vânia publicou em suas redes sociais uma mensagem que demonstra seu amadurecimento, sua gratidão pela vida e, sobretudo, sua caminhada espiritual:
“Hoje completo 41 anos. E escolhi duas imagens para falar um pouco dessa caminhada. Em uma, a beleza da vida. Na outra, um hospital, lugar que me fez enxergar ainda mais o valor de estar aqui.
Ao longo desses anos, Deus me ensinou a agradecer mais, cobrar menos, exercer o perdão, recomeçar e entender que cada pessoa que passa pela nossa vida deixa alguma coisa.
Hoje, meu coração é gratidão. Pela vida, pela saúde, pela minha família, especialmente minha mãe, minha filha e meus irmãos, pelos amigos, pelos livramentos e por tudo que Deus me permitiu viver até aqui.
Aos 41, quero viver com propósito. Estar no centro da vontade de Deus, fazer escolhas que O honrem e aproveitar os anos que Ele me conceder com o coração cada vez mais perto d’Ele.
Obrigada, meu Abba, por mais um ano. Por tudo que vivi, por tudo que aprendi e, principalmente, por nunca ter soltado a minha mão.
Te amo, meu Deus!”
Depois de tantos anos, de tantas histórias, dificuldades, alegrias e até divergências, algumas coisas simplesmente não mudam.
Vânia Santana sempre foi, é e continuará sendo a minha eterna “Chapinha de Ouro”.
Feliz aniversário, minha amiga!
Que Deus continue segurando sua mão, assim como, um dia, nos momentos em que eu mais precisei, você segurou a minha.
Por Alberto de Avellar – Crônicas do Bom Velhinho

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