Vou ser curto e grosso nesta crônica, já que dizem que meu nome precede a polêmica…
Nos últimos 30 dias, tivemos quatro manifestações na cidade de Simões Filho, com queima de pneus: uma nas proximidades da UPA do CIA, outra na entrada da Coroa da Lagoa e duas próximas ao Hospital Municipal. Todas, segundo os relatos que circularam, tinham praticamente o mesmo motivo: a demora na regulação e transferência de pacientes.
Também tivemos uma audiência pública sobre a Saúde, na qual o vereador Roberto Souza declarou, em alto e bom som, que o Hospital Municipal sequer teria Alvará Sanitário de funcionamento expedido pelo órgão competente.
E aí surge uma pergunta que não quer calar: se essa informação estiver correta, qual é exatamente a situação sanitária e documental da unidade?
Mais ainda: é necessário esclarecer tecnicamente se eventual ausência ou irregularidade desse documento interfere nos processos de regulação, transferência de pacientes e recebimento de recursos do SUS. São questões sérias demais para serem respondidas com discursos políticos. Precisam de documentos, transparência e explicações oficiais.
As manifestações relacionadas à regulação ocorreram em meio a relatos de mortes de pacientes, aumentando ainda mais a revolta de familiares e da população.
Entre os episódios mais graves está o caso da senhora Jussara Freitas Pereira, que, conforme relato público de seu cunhado, teria dado entrada na unidade com histórico de mioma. Segundo a versão apresentada pela família, profissionais teriam considerado inicialmente a possibilidade de gravidez e realizado um procedimento cirúrgico. As circunstâncias exatas do atendimento, do procedimento e do óbito precisam ser devidamente esclarecidas por meio de prontuário, perícia e investigação dos órgãos competentes.
Não cabe condenação antecipada. Mas cabe — e muito — cobrança por respostas.
E é justamente nesse cenário que chegamos ao ponto central desta crônica.
Mesmo diante de uma grave crise na saúde pública municipal e de famílias buscando explicações, nossos políticos participaram de um grande adesivaço, com toda a pompa partidária do União Brasil.
Segundo as informações divulgadas, compareceram vereadores, o prefeito, o ex-prefeito, a deputada estadual que busca a reeleição e candidatos a deputado federal — inclusive com discursos e promessas de recursos parlamentares para a saúde do município.
Enquanto isso, familiares choram seus mortos, pacientes aguardam atendimento e a população cobra respostas.
É aí que fica difícil entender as prioridades.
De um lado, o espetáculo político, as fotografias, os abraços, os adesivos, os discursos, as câmeras e a tradicional garimpagem de votos.
Do outro, uma população perguntando:
Cadê a regulação?
Qual é a situação sanitária do Hospital Municipal?
Quem fiscaliza os contratos milionários da saúde?
Por que pacientes e familiares precisam chegar ao extremo de fechar ruas e queimar pneus para serem ouvidos?
E, principalmente:
Quem vai explicar as mortes denunciadas pelas famílias?
Chamar o hospital de “açougue” pode até representar a indignação de parte da população, mas a gravidade dos acontecimentos exige algo muito maior do que adjetivos: exige investigação, documentos, transparência e responsabilização, caso sejam comprovadas irregularidades ou negligências.
Porque política não deveria ser apenas adesivo, fotografia, palanque e promessa em época eleitoral.
Política também é estar ao lado do cidadão quando ele está na porta de uma unidade de saúde implorando por atendimento ou por uma transferência.
Portanto, depois de tantos protestos, denúncias, mortes relatadas e questionamentos sobre o funcionamento da saúde municipal, sobra uma pergunta simples para quem exerce mandato em Simões Filho:
DE QUE LADO NOSSOS POLÍTICOS ESTÃO???
Do lado das festas partidárias e da corrida pelos votos?
Ou do lado das famílias que estão cobrando respostas?
Por Alberto de Avellar – Crônicas do Bom Velhinho

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