Enquanto profissionais da Educação reclamam do descumprimento do calendário de pagamentos e da suspensão de gratificações, artistas locais também cobram cachês. Ao mesmo tempo, realização de evento público com atrações musicais reacende debate sobre prioridades administrativas às vésperas das eleições
Simões Filho atravessa um momento de crescente tensão entre a administração municipal e setores ligados à Educação. Em pleno período eleitoral, quando as atenções também estão voltadas para a disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia e para a campanha da deputada estadual Kátia Oliveira, cobranças envolvendo pagamentos e gratificações colocam as prioridades da gestão do prefeito Devaldo, no centro do debate político.
Segundo manifestação divulgada pelo SINTESF – Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Simões Filho, pelo segundo mês consecutivo teria ocorrido descumprimento do calendário oficial de pagamentos. A entidade também afirma existir insegurança quanto às gratificações e informa que aniversariantes de julho aguardariam o pagamento de um terço de férias, enquanto os de agosto também ainda não teriam recebido.
A insatisfação deverá sair das redes sociais e chegar às portas do Executivo. Conforme a convocação divulgada, gestores escolares devem se reunir na manhã desta segunda-feira (31), no pátio da Prefeitura de Simões Filho, para uma manifestação.
O sindicato elevou o tom ao questionar publicamente quais seriam as prioridades do governo municipal e de sua base política, justamente num momento em que o calendário eleitoral ganha força.
ARTISTAS LOCAIS TAMBÉM COBRAM
A crise não estaria restrita à Educação.
Publicações nas redes sociais relatam que artistas locais que trabalharam no Arraiá das Viúvas 2026, realizado no final de junho, ainda estariam aguardando seus cachês. Uma das cobranças públicas partiu do cantor Thiago Diferente.
Segundo as informações divulgadas pelos próprios veículos reproduzidos nas redes, 14 atrações locais teriam sido contratadas por cerca de R$ 6 mil cada, chegando a uma estimativa de R$ 84 mil em cachês pendentes. Esses valores e a situação individual dos pagamentos, contudo, precisam ser confrontados com contratos, empenhos, liquidações e ordens bancárias do Município antes de serem tratados como definitivamente comprovados.
E O FESTIVAL DA JUVENTUDE?
É justamente nesse cenário que surge outro ingrediente politicamente explosivo: a Prefeitura anunciou para 29 de agosto, na Praça Ernesto Simões, o Festival da Juventude, com participação do cantor O Polêmico.
A realização de um novo evento enquanto servidores e artistas fazem cobranças públicas naturalmente provoca uma pergunta administrativa legítima: qual é a ordem de prioridade dos pagamentos realizados pelo Município?
Caso exista documentação demonstrando que atrações externas receberam antecipadamente enquanto artistas locais permanecem sem pagamento, a comparação merece explicação pública da Prefeitura. A afirmação de pagamento antecipado, porém, deve ser sustentada pelos respectivos processos administrativos e comprovantes antes de ser apresentada como fato consumado.
ELEIÇÃO AUMENTA O PESO POLÍTICO DA CRISE
O episódio ganha dimensão ainda maior porque acontece durante a campanha eleitoral de 2026.
A deputada estadual Kátia Oliveira, candidata à reeleição, pertence ao mesmo grupo político que administra Simões Filho. Isso faz com que qualquer desgaste da gestão Dinha/Del inevitavelmente tenha potencial para repercutir no debate eleitoral.
Isso, por si só, não significa que despesas da Prefeitura tenham relação jurídica ou financeira com a campanha da parlamentar. Evento institucional e campanha eleitoral são coisas distintas, e qualquer alegação de uso eleitoral da estrutura pública exige provas específicas.
Politicamente, entretanto, a oposição e os próprios servidores podem questionar como um governo encontra recursos para promover grandes eventos enquanto enfrenta cobranças relacionadas a direitos e pagamentos de trabalhadores.
E essa talvez seja a pergunta que deverá ecoar no pátio da Prefeitura nesta segunda-feira:
se existe dinheiro para festa, por que existem trabalhadores cobrando aquilo que afirmam ter direito a receber?
A Prefeitura de Simões Filho precisa apresentar sua versão, esclarecer a situação do calendário salarial, das gratificações dos gestores escolares e dos cachês dos artistas locais, além de informar oficialmente quais pagamentos referentes aos eventos já foram empenhados, liquidados e efetivamente quitados.
Em período eleitoral, transparência deixa de ser apenas uma boa prática administrativa. Torna-se fundamental para separar gestão pública, festa institucional e campanha política — e permitir que a população tire suas próprias conclusões.

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