Simões Filho, a cidade onde os absurdos viraram parte do cotidiano: até quando teremos gente morrendo em meio a denúncias de possível negligência e, principalmente, diante da velha vista grossa de gestores e governantes?
O que parecia ser apenas mais um áudio atribuído ao vereador Genivaldo Lima ganhou enorme repercussão nas redes sociais. Na gravação, o parlamentar afirma, literalmente, que “houve assassinato no Hospital de Simões Filho”.
A declaração é gravíssima. Não se trata de uma conclusão destas Crônicas, mas de uma afirmação atribuída a um vereador do município. Diante da seriedade do caso, cabe às autoridades competentes investigar os fatos, esclarecer as circunstâncias da morte e apontar eventuais responsabilidades.
Se analisarmos também outro vídeo, desta vez do vereador Roberto Souza, durante uma audiência pública, no qual ele afirma que o Hospital Municipal de Simões Filho não teria sequer “Alvará de Funcionamento da Vigilância Sanitária do Estado da Bahia”, o cenário apresentado pelos parlamentares se torna ainda mais preocupante. Essa informação, pela sua gravidade, também precisa ser oficialmente esclarecida pelos órgãos responsáveis.
Temos o vídeo da mulher que ficou nua e chamaram a policia para a retirar da UPA do CIA em razão dela estar exigindo atendimento.
O sumiço inexplicável da UTI MÓVEL que levou a morte do levita e compositor do hino da cidade... Fábio Temer...
Diante de tantas denúncias e reclamações, chega-se à percepção de que a Saúde Municipal, há nove anos e sete meses, vem enfrentando problemas graves. E, após a saída de Iridan Brasileiro, a sensação para muitos usuários é de que a situação somente tende a piorar.
Sem uma atenção básica eficiente nos postos de saúde dos bairros, a superlotação da Emergência e da UPA aumenta significativamente. Pacientes relatam dificuldades desde a triagem, longas esperas, permanência em corredores e demora para realização de exames e atendimento médico. Em situações mais graves, quando o quadro clínico se agrava, surge o pedido de regulação para transferência.
É justamente nesse momento que muitos, por falta de informação sobre o funcionamento do sistema, concluem automaticamente: “A culpa é da regulação do Governo do Estado.”
Mas será que é tão simples assim?
É preciso perguntar o que aconteceu antes da solicitação da regulação. Quanto tempo o paciente permaneceu esperando? Houve diagnóstico adequado? Os exames necessários foram realizados? Existiam profissionais e estrutura suficientes? O atendimento ocorreu no momento correto? Essas são perguntas que precisam ser respondidas antes de simplesmente transferir toda a responsabilidade para a regulação estadual.
E agora, com os chamados “vereadores revoltosos” aparentemente acordando para a situação, quem continuará pagando essa conta? Como sempre, o povo.
Enquanto isso, o atual gestor, o chamado “Gigante do Cristo Rei”, segue divulgando uma cidade onde, pela propaganda oficial, aparentemente está tudo às mil maravilhas — seguindo a cartilha política de seu líder, o ex-prefeito Diógenes Tolentino, o Dinha.
E, para completar o miserê, ainda aparecem sites tentando desqualificar aqueles que ousam publicar denúncias e cobrar explicações, insinuando que as críticas existiriam porque determinados veículos estariam recebendo algum tipo de benefício da suposta oposição.
É mais fácil atacar quem denuncia do que responder às denúncias?
No caso do Hospital Municipal, porém, a situação ultrapassou a disputa política. Existe uma morte, existe uma declaração pública gravíssima atribuída a um vereador e existem questionamentos sobre as condições de funcionamento da unidade.
Portanto, não cabem apenas discursos, propaganda ou guerra política.
Cabem respostas. Cabem documentos. Cabe investigação.
E, acima de tudo, cabe respeito à família que perdeu um ente querido e à população de Simões Filho, que tem o direito de saber exatamente o que aconteceu.


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