Meus nobres, inquietos e calejados leitores…
Dizem que, na política, quando a maré muda, até os peixes começam a nadar em sentido contrário. Pois bem, a Semana Santa já passou, o peixe foi distribuído, as filas ficaram na memória da população, mas o assunto voltou à mesa — desta vez, no gabinete do Ministério Público da Bahia.
Segundo reportagem do BNews, o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) instaurou um procedimento preparatório de inquérito civil para apurar possíveis irregularidades no Pregão Eletrônico nº 003/2026, realizado pela Prefeitura de Simões Filho para aquisição de peixes destinados à distribuição gratuita durante a Semana Santa.
A medida foi assinada pela promotora de Justiça Paola Roberta de Souza Estefam, titular da 4ª Promotoria de Justiça de Simões Filho.
O contrato investigado envolveu aproximadamente R$ 1,7 milhão para a compra de cerca de 69 toneladas de pescado, destinadas ao programa Semana Santa Solidária, que, segundo a Prefeitura, atenderia aproximadamente 23 mil famílias inscritas no Bolsa Família.
Até o momento, o Ministério Público não informou quais seriam as supostas irregularidades nem apontou responsáveis. O procedimento instaurado serve justamente para reunir documentos, informações e elementos que possam indicar se há fundamento para abertura de um Inquérito Civil ou se o caso deverá ser arquivado.
O QUE DIZIA O POVO?
Na época da distribuição, as redes sociais foram inundadas por fotografias e vídeos mostrando longas filas, reclamações de moradores e aglomerações de pessoas aguardando o recebimento do benefício.
As críticas concentravam-se principalmente na organização da entrega, situação que acabou repercutindo na imprensa estadual.
Agora, além da avaliação administrativa feita pela população, caberá ao Ministério Público verificar se houve ou não alguma irregularidade no processo licitatório.
O QUE ACONTECE AGORA?
O procedimento preparatório é apenas a fase inicial da investigação.
Nesta etapa, o Ministério Público pode requisitar documentos, ouvir servidores, solicitar esclarecimentos e analisar todo o processo administrativo da licitação.
Somente após essa análise será decidido se haverá:
* abertura de um Inquérito Civil;
* adoção de outras medidas legais;
* ou arquivamento do procedimento, caso não sejam encontrados indícios de irregularidades.
A PREFEITURA
Até a publicação da reportagem do BNews, a Prefeitura de Simões Filho ainda não havia se manifestado oficialmente sobre a instauração do procedimento. O espaço para manifestação permanece aberto.
CRÔNICAS DO BOM VELHINHO
Na velha Rádio Peão, já começou a brincadeira:
“Enquanto o povo procurava peixe na Semana Santa, agora é o Ministério Público quem procura saber se existe algum peixe graúdo escondido no processo.”
Mas, deixando as ironias de lado, vale lembrar um princípio importante: a instauração de um procedimento investigatório não significa que houve irregularidade ou que alguém seja culpado. Trata-se de uma investigação preliminar destinada justamente a esclarecer os fatos, garantindo o devido processo legal e o direito de defesa de todos os envolvidos.

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