Por Alberto de Avellar – Meus nobres, pensantes e calejados leitores de Simões Filho, os grandes investigadores costumam afirmar que, por trás das principais crises políticas, administrativas ou até criminais, quase sempre existem três elementos que movem os acontecimentos: dinheiro, vingança e ganância.
Talvez seja justamente essa combinação que esteja por trás da turbulência política que tomou conta de Simões Filho.
Nos últimos dias, parte da mídia e alguns veículos de comunicação passaram a vender à população a narrativa de uma suposta guerra entre o Poder Legislativo e o Poder Executivo. Entretanto, basta observar com atenção as entrelinhas para perceber que o debate parece girar muito mais em torno do poder e do dinheiro público do que propriamente de divergências ideológicas.
Enquanto alguns veículos insinuam que determinados grupos perderam espaço ou contratos na administração, outros se esforçam para defender seus aliados políticos, chegando, segundo seus críticos, a construir versões que desviam o foco das verdadeiras causas da crise.
Mas, afinal, qual é a realidade dos fatos?
Desde o início desse episódio, o presidente da Câmara Municipal, Itus Ramos, em nenhum momento declarou oposição ao prefeito Devaldo Soares, o Del do Cristo Rei. O mesmo ocorreu com a ampla maioria dos vereadores.
Ao contrário do que muitos imaginam, o discurso predominante dentro da Câmara nunca foi de rompimento com o governo municipal. A principal divergência manifestada publicamente por diversos parlamentares estaria relacionada ao processo eleitoral de 2026, especialmente quanto ao apoio à deputada estadual Kátia Oliveira.
Enquanto isso, o prefeito Del participou de um encontro político promovido pela deputada, ao lado do ex-prefeito Diógenes Tolentino (Dinha). Na ocasião, vídeos amplamente divulgados nas redes sociais registraram uma declaração que rapidamente repercutiu no meio político:
“Se não estão com Del, Dinha e Kátia, estão fora.”
Poucos dias depois, a disputa ganhou um novo capítulo.
O prefeito passou a demonstrar interesse direto na eleição da Mesa Diretora da Câmara, defendendo um nome de sua preferência para comandar o Legislativo no próximo biênio. Paralelamente, surgiu uma discussão jurídica envolvendo um agravo de instrumento apresentado em nome do Município, medida cuja legalidade passou a ser questionada por diferentes interpretações.
Diante da decisão judicial, o presidente da Câmara, Itus Ramos, declarou, durante sessão ordinária, que cumpriria integralmente o que determinou a Justiça, realizando a eleição da Mesa Diretora na data prevista judicialmente, em novembro.
Na mesma sessão, onze vereadores utilizaram a tribuna para declarar apoio público à reeleição de Itus Ramos.
Mesmo assim, parte da imprensa passou a sustentar que seis vereadores integrariam uma chapa ligada ao prefeito. Contudo, essa interpretação também encontra resistência, já que dois desses parlamentares pertencem à oposição, circunstância que poderia gerar questionamentos políticos e partidários caso aderissem formalmente a um bloco governista.
Mas existe um detalhe pouco lembrado em toda essa história.
O ex-presidente da Câmara, Orlando de Amadeu, promoveu alterações no Regimento Interno em 2020. Entre elas, mudanças relacionadas às regras das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), instrumento frequentemente reivindicado pela população para fiscalizar o Poder Executivo.
Além disso, permanece a discussão sobre a não incorporação, à Lei Orgânica Municipal, da emenda legislativa aprovada em 2018 que previa a realização das eleições da Mesa Diretora no mês de junho, antes do recesso parlamentar. Em razão desse cenário jurídico, prevaleceu o entendimento judicial pela realização da eleição em novembro.
É justamente nesse ponto que muitos enxergam a verdadeira origem da crise.
Paradoxalmente, o prefeito Del conta com ampla maioria na Câmara Municipal. Ainda assim, optou por intervir em uma disputa interna do Poder Legislativo que, tradicionalmente, cabe exclusivamente aos vereadores.
A pergunta inevitável é: por quê?
Se havia maioria, por que abrir uma crise política desnecessária?
Se havia diálogo, por que transformá-lo em confronto?
Talvez a resposta ainda esteja escondida. Talvez apareça nos próximos capítulos.
Enquanto isso, Simões Filho continua convivendo com problemas na saúde, na educação, na infraestrutura, na mobilidade urbana e em tantos outros setores que afetam diretamente a vida da população.
No fim das contas, a grande preocupação do cidadão não é quem ocupará a cadeira da Presidência da Câmara, mas quem ocupará, de fato, a cadeira da responsabilidade para governar a cidade.
Porque o povo espera menos disputas de poder e mais soluções.
E fica a pergunta que continua ecoando pelas ruas de Simões Filho:
Del do Cristo Rei exerce uma liderança voltada para um projeto coletivo de desenvolvimento do município ou apenas conduz um projeto político que prepara o caminho para o retorno do ex-prefeito Diógenes Tolentino?
Como toda boa crônica política, essa resposta será dada pelo tempo… e, principalmente, pelos fatos.

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