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VIOLÊNCIA SILENCIOSA: O MÉTODO DE GESTÃO QUE ADOECE SIMÕES FILHO.



Por Alberto de Avellar - O jornalismo e os veículos de comunicação tornaram-se reféns de um refrão repetido à exaustão: “levar a informação em tempo real aos leitores”. Em tempos atuais, essa informação muitas vezes se resume a uma dissertação de apenas três parágrafos que, na maioria das vezes, mais desinforma do que informa, pela ausência de conteúdo sólido, contextualização e base crítica.

Os poucos jornalistas da velha guarda que ainda resistem tratam o jornalismo como um ideal — ou talvez como um vício, semelhante ao tabagismo: sabe-se que faz mal, mas, ainda assim, estão sempre mendigando algumas moedas para comprar mais uma carteira de cigarros.

O texto é longo, mas vale a pena ler até o final.

Em Simões Filho, a violência mais eficiente não usa farda, não levanta a voz e não aparece nos boletins oficiais. Ela opera em silêncio. Um silêncio calculado, institucional, burocrático. Um silêncio que nasce na cúpula do poder e desce em cascata até alcançar quem está na ponta — principalmente dentro das escolas, das unidades de saúde e dos serviços sociais.

Há secretarias. Muitas.

Há prédios, cargos, logotipos, slogans e discursos ensaiados.

Mas há, sobretudo, uma ausência brutal de gestão humana.

A Educação, que deveria ser espaço de acolhimento, diálogo e proteção, transformou-se em território de medo velado. Gestores pressionados, profissionais adoecendo, conflitos tratados como “problema individual”. O discurso oficial fala em “excelência”, mas a prática revela abandono emocional, assédio institucional disfarçado de hierarquia e uma cultura de silenciamento que empurra educadores ao limite psicológico.

Na Saúde, o cenário não é diferente. Profissionais sobrecarregados, cobranças sem suporte, metas sem estrutura, sofrimento tratado como fraqueza. A saúde mental de quem cuida nunca entrou no planejamento. E, quando alguém adoece, o sistema age como se fosse surpresa — quando, na verdade, é consequência direta de um modelo de gestão que esmaga.

Já a Assistência Social, que deveria ser o último colchão de proteção, tornou-se apenas mais uma engrenagem burocrática. O cidadão chega ferido, fragilizado, muitas vezes em sofrimento psíquico profundo, e encontra portas giratórias, protocolos frios e ausência de escuta real. A política social virou vitrine. O cuidado, esse, ficou para depois.

Tudo isso não é acaso.

É método.

A forma de governar herdada e mantida pelo eixo Dinha/Del sustenta-se em três pilares perigosos:

1. Centralização do poder, onde poucos decidem e muitos apenas obedecem;

2. Fachada institucional, que vende ao público externo uma gestão moderna que não existe internamente;

3. Naturalização do adoecimento, como se o sofrimento fosse parte normal do serviço público.

Essa engrenagem cria o ambiente perfeito para a violência silenciosa prosperar. Uma violência que não deixa hematomas, mas deixa laudos. Que não grita, mas empurra. Que não ameaça diretamente, mas corrói aos poucos.

O resultado está espalhado pelos corredores: ansiedade crônica, depressão, afastamentos, crises emocionais — e, em situações extremas, pensamentos autodestrutivos. Quando o poder público falha em proteger, torna-se cúmplice do adoecimento.

E então surge a pergunta que ninguém no topo gosta de responder:

o que fazer quando o agressor é o próprio sistema?

Quem procurar quando Saúde, Educação e Assistência Social falham juntas?

Onde buscar socorro quando o município não oferece suporte real?

A Rádio Peão tenta normalizar: “sempre foi assim”.

O Bom Velhinho avisa: sempre foi assim porque sempre deixaram.

Violência silenciosa não é destino.

É escolha política.

E enquanto a gestão continuar tratando gente como número, sofrimento como frescura e crítica como ameaça, Simões Filho seguirá produzindo adoecimento em série — com secretarias cheias e consciências vazias.

O silêncio governa.

Mas ele também acusa.

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