Por Alberto de Avellar - Dizem que o tempo cura tudo. Em Simões Filho, o tempo apenas acostuma. Acostuma com a falta de remédio, com o oxigênio emprestado, com o lençol trazido de casa, com a fila que não anda, com a dor que não passa. Acostuma com o sofrimento do povo sendo tratado como estatística fria em planilha de contrato quente.

Uma lembrança das charges de Silvio Souza do Mapele News - Os heróis criados para salvar a humanidade.
Foram nove anos do mesmo grupo no comando. Mudaram as cadeiras, trocaram os crachás, alteraram o nome da empresa, aumentaram o valor do contrato, mas o resultado continuou o mesmo: caos. O hospital virou um corredor de lamentos. A enfermaria, um campo de resistência. E o paciente, um sobrevivente por milagre — quando sai vivo.
Quem entra, entra fraco. Quem sai, sai pior. Inchado, exausto, marcado por dias de abandono. Médicos fazem o que podem; falta o que é básico. A gestão assina, carimba, publica. O povo padece.
Trocaram a empresa, expulsaram uma, contrataram outra, o erário sangra, e a pergunta ecoa nos corredores vazios:
Para onde foi o dinheiro?
Qual foi o ganho real para o cidadão de Simões Filho?
Enquanto isso, a cidade assiste a um espetáculo paralelo: vans cruzando fronteiras, pacientes de fora recebendo senhas, e o morador daqui ficando para depois — quando fica. É a saúde transformada em logística eleitoral, a dor em moeda política, a prioridade em conveniência.
E o sucessor? Veio com discurso de “novo tempo”, mas governa com o relógio parado. Herdeiro fiel, não rompeu. Continuador aplicado, não corrigiu. O hospital continua sem remédio; o povo, sem respeito.
A pergunta que fica não cabe mais em editorial nem em roda de conversa. Cabe na urna.
O eleitor vai aceitar que tudo continue como está?
Vai fingir que não viu, que não sentiu, que não sofreu?
Vai premiar quem administra a saúde como se fosse favor e não direito?
A resposta ao descaso não é silêncio.
A resposta ao desvio não é conformismo.
A resposta ao sofrimento é voto consciente.
Porque governar é cuidar de gente.
E quando o povo precisa levar lençol, oxigênio e esperança de casa, algo apodreceu no poder.
Que Deus continue no comando —
porque, pelo visto, a Prefeitura abandonou o posto.
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