Por Alberto de Avellar - Na cidade icônica dos absurdos, onde até o silêncio faz barulho, a Rádio Peão voltou a operar em horário estendido. E quando ela começa a cochichar nos corredores acarpetados do poder, é porque a roseira vai balançar — e forte.
Desta vez, o zunzunzum tem endereço certo: o Hospital de Simões Filho. Segundo os bastidores, o homem do “Novo Tempo com velhas práticas” mandou dar aquela tradicional maquiada na fachada externa do matadouro com nome de hospital. Por fora, tinta nova. Por dentro, o mesmo cenário miserável de sempre. Se a Organização Mundial da Saúde resolvesse aparecer por lá, o “açougue” era fechado na hora.
Outro ponto que chama atenção é quem irá comandar a Secretaria de Saúde. O personagem atende por nomes ainda em fase de ajuste fino: Nádia, Nadyjane, Naiane… ninguém sabe ao certo a grafia correta, mas o cargo, segundo a Rádio Peão, já estaria definido nos bastidores. O que se sabe — e ela garante — é que se trata de uma enfermeira, moradora de Simões Filho, alguém “da área”, como gostam de dizer quando querem dar verniz técnico a decisões políticas tardias.
Enquanto isso, a atual secretária de Saúde, Iridan Brasileiro, aquela mesma que virou sinônimo de contratos turbinados, esquemas nebulosos e da famosa dobradinha com a Fabamed, já estaria com o relógio em contagem regressiva. Apadrinhada do ex-prefeito, Iridan parece ter perdido o padrinho — e, na política local, sem padrinho não se atravessa nem faixa de pedestre.
Segundo as más línguas bem-informadas — que, convenhamos, são sempre as melhores — a exoneração é questão de dias. Até quarta-feira, a cidade deve acordar com uma nova secretária de Saúde e com o velho discurso reciclado de sempre: “agora vai”.
A Rádio Peão, sempre ela, garante que a mudança não nasce exatamente de um surto de consciência administrativa, mas da pressão popular, do desgaste irreversível e do medo de que a corda — já esticada além do limite — finalmente arrebente do lado mais fraco. Porque quando falta lençol, remédio, oxigênio e dignidade, nem propaganda dá mais jeito.
O Bom Velhinho, do alto de sua bengala cética, observa tudo com aquele sorriso irônico de quem já viu esse filme antes — só muda o elenco. Sai uma secretária carimbada por escândalos, entra um nome novo, fresco, ainda sem manchas… pelo menos por enquanto.
Resta saber se a futura Nádia, Nadyjane ou Naiane vem para mudar o rumo da saúde pública ou apenas para trocar a placa da porta, mantendo o mesmo roteiro por trás da cortina.
Como sempre, a Rádio Peão foi a primeira a avisar.
E, como sempre, em Simões Filho…
tudo se vê, tudo se sabe — só não se explica.

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