Por Alberto de Avellar – Dizem que fé move montanhas. Em Simões Filho, a fé move palcos, trios, iluminação de LED… mas não move vereadores. Pelo menos não para perto do prefeito Del.
Na abertura da Semana da Cultura Gospel, o cenário estava montado: louvor, microfone, holofote, deputado, prefeito e… cadeiras vazias. Muitas cadeiras vazias. Das 17 excelências que compõem a Câmara Municipal, apenas oito resolveram aparecer. Os outros? Sumiram como maná no deserto político.
E aí fica a pergunta que não quer calar — por que os vereadores não querem estar ao lado de Del?
Mistério? Não. Basta ligar a Rádio Peão, aquela que tudo vê, tudo ouve e nada perdoa.
Primeiro motivo: o cordão umbilical nunca foi cortado
Del prometeu distanciamento do ex-prefeito Diógenes Tolentino. Prometeu tanto que o povo quase acreditou. Mas promessa política em Simões Filho tem prazo de validade menor que iogurte fora da geladeira.
Na prática, o ex-prefeito continua presente, influente e sorridente, como quem diz: “relaxa, que a caneta ainda passa por aqui”.
E, claro, ao lado dele, a deputada Estrela decadente do sapatinho de cristal, sempre pronta para o baile, para o palco e para o flash — mas não para sair do script do grupo.
Segundo motivo: a reforma administrativa que virou lenda urbana
A tal reforma administrativa foi anunciada, comentada, sussurrada e rezada. Só não foi feita.
Os vereadores esperavam espaço, diálogo e participação. Receberam silêncio, chá de cadeira e um “depois a gente vê”.
Resultado? Os cargos foram ocupados por suplentes, aliados do grupo antigo e figuras que ninguém sabe de onde vieram — mas sabe bem a quem pertencem.
E os vereadores? Ficaram a ver navios… e sem porto seguro.
Terceiro motivo: Del não lidera, é liderado
Aqui mora o pecado capital da política: falta de liderança.
Del não decide, não rompe, não impõe. Consulta, espera, olha para os lados e, quando resolve falar, o momento já passou.
Vereador gosta de líder. Gosta de alguém que bata na mesa, diga “é assim” e sustente.
Seguir quem não decide é pedir para afundar junto.
Quarto motivo: popularidade em queda livre
O criador e a criatura estão em baixa.
Dinha perdeu o encanto. Del perdeu o pouco que tinha.
Hoje, andar ao lado do prefeito não rende voto, rende meme. Não soma, subtrai. Não fortalece, queima.
E político, meu amigo, foge de “queimação” mais rápido que foge de CPI.
E o Festival Gospel virou o quê?
Virou cenário de constrangimento institucional.
Louvor no palco, tensão nos bastidores e ausência no plenário improvisado.
Enquanto o povo cantava, a política desafinava.
No fim das contas, ficou claro:
não foi boicote ao Gospel,
não foi desrespeito à fé,
foi distanciamento político calculado.
Porque em Simões Filho, até na cultura, a política fala mais alto.
E quando o prefeito não decide, os vereadores decidem por ele — se afastando.
No mais, seguimos firmes, observando, anotando e perguntando:
👉 Quem governa mesmo?
👉 Quem manda?
👉 E quem só aparece no palco enquanto o poder está nos bastidores?
Assina, com a caneta afiada e o bom humor intacto,
O Bom Velhinho

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