Por Alberto de Avellar – Em Simões Filho, a cidade onde até o silêncio tem currículo político, uma frase atravessou os muros do templo e ecoou nas redes, nas esquinas e nos bastidores do poder. O pastor Rafael Neves não citou nomes, mas atingiu muitos quando disse:
“Tem muita gente com a reputação intacta pelo silêncio de alguém que ele tentou destruir.”
E arrematou, sem pedir licença:
“A reputação perfeita de muita gente só existe porque alguém decidiu não expor a verdade.”
Recado dado. E, como manda o figurino da política local, rapidamente decodificado.
No sábado, poucas horas depois da audiência do prefeito Devaldo Soares, o Del do Cristo Rei, com o governador Jerônimo Rodrigues — tendo como testemunha o deputado federal Cláudio o Cajado, quem transformou palavra em gesto foi a primeira-dama, Fiinha. Um story seco, cirúrgico, sem nomes, sem adjetivos sobrando. O suficiente para incendiar a Rádio Peão e deixar a cidade em modo “interpretação simultânea”.
A pergunta que corre solta nos becos do poder é simples e explosiva: foi apenas um ato institucional ou Del decidiu atravessar a ponte e sinalizar apoio ao governador Jerônimo, candidato à reeleição, mesmo tendo sido eleito pelo União Brasil, sob as bênçãos de ACM Neto?
Enquanto isso, nas redes sociais, o velho script reapareceu. Neilton Lima, sempre ,o "Nel da Vida Nova", o homem do ex-prefeito Dinha, seu defensor ferrenho, sempre fiel ao passado e avesso ao presente, resolveu xingar a oposição e defender o indefensável, esquecendo convenientemente que, até ontem, fazia questão de repetir em alto e bom som:
“Del não é líder de nada. O líder é Dinha.”
- Confirmando o que todos pensavam, Del é um prefeito tampão o prefeito da transição de Dinha para Dinha em 2028.
Curioso como, na política de Simões Filho, a memória é seletiva e a coerência costuma tirar licença sem avisar.
O ex-prefeito, outrora onipresente, agora observa à distância. Seus antigos “Arganjos, renegados pela sociedade simõesfilhense” viraram fiscais do presente, revoltados com a perda de protagonismo. O gabinete do ódio mudou o tom, mas não perdeu o costume. Atacam, acusam, gritam — talvez porque o silêncio, agora, esteja do outro lado.
E assim segue Simões Filho: entre frases bíblicas, stories estratégicos, vistorias técnicas e alianças que começam como “institucionais” e terminam como projetos de poder.
A Rádio Peão, essa velha senhora que tudo ouve e tudo vê por trás das paredes acarpetadas, segue atenta. Porque, no fim das contas, quando o silêncio resolve falar, é sinal de que alguém já perdeu o controle da narrativa.

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