Por Alberto de Avellar — Após quase 20 anos acompanhando e defendendo melhorias para o sistema de transporte de Simões Filho, chego a uma constatação inevitável: seguimos sendo a cidade icônica dos absurdos.
Nesta terça-feira (06), o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, confirmou à imprensa que o VLT será estendido até Camaçari, passando pela sede de Simões Filho, utilizando a linha férrea existente.
Do ponto de vista técnico e logístico, a proposta faz total sentido. A ferrovia corta áreas estratégicas como Ilha de São João, Mapele, Cotegipe, atravessa Simões Filho pela sede — nas proximidades da 25ª Ciretran, Pan San, Preto Velho, Simões Filho I, Góes Calmon e Guerreiro — seguindo até Camaçari. Sem exagero, trata-se da solução mais eficiente e integrada já apresentada para o transporte intermunicipal entre cidades limítrofes.
Mas é justamente aqui que surge a pergunta que não quer calar.
Para que servirão as obras faraônicas do governo Diógenes Tolentino (Dinha)?
Especialmente o Novo Anel Viário e, principalmente, a Terminal Rodoviária da BA-324, obra inacabada que já ultrapassa R$ 22 milhões em recursos públicos.
A chamada “nova rodoviária” completa dois anos em maio, sem sair do lugar — resumindo-se, até agora, a movimentações de terra de um lado para o outro. E o mais grave: foi planejada a mais de 1 km da sede do município, exatamente fora do eixo por onde passará o futuro VLT.
Ou seja, tudo indica que a estrutura, além de cara, pode se tornar inútil, fruto de um planejamento equivocado, desconectado da realidade urbana e das soluções de mobilidade que agora se anunciam.
Fica, portanto, a reflexão inevitável:
Será este mais um capítulo da chamada “Herança Maldita” deixada pelo ex-prefeito Dinha para o homem do “Novo Tempo”, Del do Cristo Rei?
Em Simões Filho, onde tudo se anuncia, tudo se promete e pouco se conclui, a resposta — como sempre — fica por conta do tempo, dos fatos… e da memória do povo.

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