Por Alberto de Avellar - Foi olhando essa paisagem paradisíaca — mar azul, barquinhos descansando e a brisa da Gamboa de Cima soprando mais leve que promessa de campanha — que o Prefeito Del, o pequeno gigante do Cristo Rei, decidiu o futuro de uma cidade inteira. Sim, senhores… enquanto o povo encarava fila no posto de saúde, buraco na rua e poeira na escola, o destino de Simões Filho era avaliado com vista para o oceano.
Era a última reunião do ano. Clima de confraternização? Que nada. Aquilo parecia mais uma reunião de conselho de classe, com direito a boletim, recuperação e transferência compulsória. Alguns secretários entraram confiantes, outros já suando frio, e uns poucos rezando baixinho pra São Caneta Azul.
O prefeito, sereno como quem escolhe sabor de picolé, anunciou:
— Uns ficam… outros vão respirar novos ares.
Pronto. A sala gelou mais que ar-condicionado de repartição pública.
E começaram as reprovações.
Gabriel da Seinfra
Reprovado por excesso de expectativa e falta de obra. Prometeu ponte, entregou remendo. O povo espera há anos, mas a obra ficou no modo “em breve”. Vai para recuperação… em outro lugar.
Iridan Brasileiro (Saúde)
Aqui foi direto: caos geral. Postos sem médico, reclamação sem fim e, de quebra, a despedida veio em combo promocional com a empresa milionária Fabamed. Saiu a secretária, saiu a empresa, ficou a pergunta: quem vai cuidar do paciente agora?
Neco Almeida (Limpeza Urbana)
Irmão de irmãozinho, mas primo da sujeira. A cidade ficou tão suja que o mato já estava pedindo IPTU. Resultado: advertência máxima e liberação para novos desafios… longe da vassoura pública.
Heliene Mota (Educação)
Aqui a reprovação foi histórica. Conseguiu a proeza de transformar a educação em um caos sem precedentes. Escola sem estrutura, professores desmotivados e alunos aprendendo mais sobre improviso do que sobre conteúdo. Repetiu de ano — de novo.
E assim, entre goles de café e olhares para o mar, o homem da caneta decidiu o futuro:
Caneta azul?
Azul caneta?
Ou a temida caneta vermelha, aquela que risca o nome e manda sair de campo?
O fato é que faltam dois dias para 2026, e em Simões Filho a virada do ano não será marcada por fogos, mas por exonerações. O calendário muda em horas… e os cargos também.
Enquanto isso, a cidade segue assistindo tudo de longe, sem vista para o mar, mas com vista privilegiada para a realidade.
Fim de ano em Simões Filho:
uns brindam,
outros caem,
e o povo… segue esperando o boletim melhorar.

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