Hoje não vou escrever uma longa crônica. Não precisa.
Depois da última e melancólica caminhada da chamada “Onda Rosa”, talvez qualquer tentativa de explicar em palavras o que aconteceu durante esta campanha seja desnecessária.
Peço apenas ao leitor: observe as quatro imagens.¹
Olhe os gestos. As posições. Os espaços entre as pessoas. Os semblantes. Quem está ao lado de quem. Quem aparece distante. Quem fala. Quem observa. Quem procura a multidão. E quem parece seguir o próprio caminho.
A política também possui uma linguagem silenciosa. E, algumas vezes, uma fotografia registra aquilo que nenhum discurso consegue esconder.
Ao longo da campanha, o distanciamento político entre o prefeito Del e a primeira-dama Fiinha e o grupo do ex-prefeito Dinha tornou-se tema recorrente nos bastidores e nas manifestações públicas. Agora, nas últimas cenas da campanha, cabe ao leitor tirar suas próprias conclusões.
Não vou dizer quem venceu o duelo dos gestos.
Não vou interpretar cada olhar.
Não vou explicar cada distância.
Muito menos antecipar aquilo que somente as urnas poderão responder.
Hoje, excepcionalmente, o Bom Velhinho fica em silêncio.
Porque há dias em que o cronista escreve.
E há dias em que quatro fotografias escrevem a crônica inteira.
Observe bem. A campanha está terminando. A história, não.




0 Comentários