Como sempre dizia meu saudoso amigo Silvio Souza, do Mapele News, Alberto de Avellar é um “ativista social”. E sua luta sempre foi combater a exclusão social.
O ativismo social tem tudo a ver com o ativismo político, justamente porque uma coisa acaba levando à outra. Afinal, lutar contra a exclusão social significa também discutir políticas públicas, cobrar direitos e observar de que maneira o poder público chega — ou deixa de chegar — às comunidades mais necessitadas.
Quanto a ser cronista político, isso é algo relativamente novo em minha caminhada. Tive que criar um veículo de comunicação para conquistar vez e voz em toda a Região Metropolitana de Salvador. E, sinceramente, não tenho a mínima ideia de por qual razão as “Crônicas do Bom Velhinho” se tornaram referência e passaram a alcançar tantos leitores.
Sempre digo que, como ativista social, acabei me tornando também um observador e, de certa forma, um roteirista da vida política de Simões Filho. Procuro analisar o perfil de cada personagem individualmente e, depois, compreender como suas atitudes interferem no contexto coletivo e na vida da sociedade.
E é justamente nesse exercício de observação que chegamos ao atual prefeito de Simões Filho, Devaldo Soares, o Del.
Na minha ótica, construída ao longo de mais de 50 anos de vivência como ativista social, Del é um personagem diferenciado: um verdadeiro diamante bruto que ainda precisa ser lapidado.
O atual prefeito possui vários pontos positivos a seu favor, mas talvez o principal deles seja justamente a sua origem.
Sua própria alcunha, “Del do Cristo Rei”, fala por si.
Del é oriundo de uma comunidade humilde, sofrida, de baixa renda, mas formada, sobretudo, por gente boa e trabalhadora.
Homem negro, nascido e criado não em berço de ouro, mas na periferia, Del trabalhou no sistema de transporte como cobrador para ajudar a levar o sustento para casa. Conheceu de perto as dificuldades enfrentadas pela população e vivenciou as deficiências dos serviços públicos oferecidos às comunidades mais pobres.
Ao seu lado está Fiinha, sua esposa há cerca de 30 anos. Outra guerreira que, assim como Del, conhece a realidade da periferia não por ouvir falar, mas porque também faz parte dessa história.
E aí surge a pergunta que não quer calar:
Você, meu nobre leitor, se fosse o roteirista dessa crônica, como descreveria a inauguração da contenção da Estrada de Candeias, justamente no bairro do Cristo Rei?
Será — apenas será — que naquele exato momento passou um filme na cabeça de Del e Fiinha?
O que significa para duas pessoas que construíram suas vidas naquela comunidade chegarem, décadas depois, à condição de prefeito e primeira-dama e participarem da entrega de uma obra justamente no lugar onde viveram, sofreram, constituíram família e criaram raízes?
Qual seria o tamanho da emoção de entregar uma intervenção destinada a proporcionar mais segurança a uma comunidade que, durante tantos anos, conviveu com dificuldades e esperou pela presença efetiva do poder público?
Há momentos na política que vão além de partidos, eleições, grupos ou disputas pelo poder.
Existem momentos carregados de simbolismo.
E talvez esse seja um deles.
A história também passa pelo Bombeiro Mota, autor da indicação relacionada à obra e que mantém naquela região a Fundação Bombeiros Mirins, projeto social ligado à comunidade. Para ele, portanto, a intervenção também possui um significado que ultrapassa concreto, pedra, ferro ou contenção.
Estamos falando de pessoas, famílias, crianças e sonhos.
Uma obra pública deve ser fiscalizada, cobrada e acompanhada, porque é realizada com dinheiro do povo. Mas, quando ela efetivamente transforma a realidade de uma comunidade, também é justo reconhecer sua importância.
Del, Fiinha e Mota possuem trajetórias diferentes, mas naquele momento suas histórias se encontraram no mesmo lugar: Cristo Rei.
A comunidade onde dificuldades foram enfrentadas no passado agora presencia seus próprios filhos ocupando espaços de decisão e participando da transformação do lugar onde tudo começou.
Talvez a política também precise ser observada por esse ângulo.
Porque antes dos cargos existem pessoas.
Antes dos palácios existem histórias.
Antes do poder existem origens.
E quem conhece de perto a dificuldade de uma comunidade carrega uma responsabilidade ainda maior quando recebe a oportunidade de governar e transformar aquela realidade.
Cabe, portanto, uma reflexão profunda e consciente:
quando alguém que nasceu na periferia chega ao poder, o maior símbolo de superação não é simplesmente ocupar o gabinete — é conseguir voltar à comunidade de onde saiu levando aquilo que, um dia, também lhe fez falta.

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