Há histórias bíblicas que atravessam séculos porque parecem nunca envelhecer. Uma delas é a relação entre Saul e Davi. O rei que amava, admirava, exaltava e, depois passou a enxergar no outro uma ameaça ao trono, ao poder e à própria sombra.
Em Simões Filho, o povo e esse velho filósofo das esquinas, do Mercado Municipal e das filas da vida, observa os movimentos do tabuleiro e faz a pergunta da semana:
É amor? É ódio? Ou é apenas o dinheiro falando mais alto?
Porque na política moderna existe uma espécie de religião própria. Não é a do altar, não é a da Bíblia aberta diante das câmeras, nem a das lágrimas derramadas em público. É a religião do poder.
Seu evangelho se chama conveniência.
Seu altar se chama interesse.
E seu deus favorito, muitas vezes, atende pelo nome de Mamom.
Enquanto isso, o povo assiste ao espetáculo: discursos inflamados, mãos erguidas para o céu, orações, abraços, promessas de fidelidade e fotos de unidade. Mas nos bastidores, onde não há microfones nem transmissões ao vivo, o que ecoa são disputas silenciosas por espaço, influência e domínio.
E a população observa algo curioso: quanto maior o discurso sobre servir ao povo, maior parece ser a desconfiança de quem paga a conta.
Vereadores levantam denúncias, protocolos são enviados aos órgãos de controle, questionamentos surgem nas ruas e nas redes sociais. E o cidadão comum, cansado de maquiagem política e promessas recicladas, pergunta:
Onde termina a fé e começa o teatro?
Talvez Saul nunca tenha odiado Davi.
Talvez Saul apenas tivesse medo de perder aquilo que julgava ser seu.
E talvez, em Simões Filho, entre o amor e o ódio, exista uma terceira força muito mais poderosa:
O DINHEIRO.
Porque o poder muda homens.
Mas o dinheiro, às vezes, revela quem eles sempre foram.
Perguntar não ofende. O silêncio, às vezes, responde.

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