Por ALBERTO DE AVELLAR - O que deveria ser tratado como normalidade institucional — e, quando necessário, questionado pelos veículos de comunicação como possíveis anomalias — acaba, mais uma vez, reforçando a imagem de Simões Filho como a “capital mundial dos absurdos”, onde rumores de bastidores insistem em flertar perigosamente com a realidade.
O assunto da semana ganhou força após a entrevista relâmpago do deputado Eduardo Alencar, que cobrou do Parlamento Municipal a instauração de uma CPI para investigar o suposto desaparecimento de mais de R$ 141 milhões da gestão do ex-prefeito Diógenes Tolentino, o popular Dinha.
Mas como nesta terra nada acontece de forma simples, eis que surge — qual Fênix renascida das cinzas políticas — a ex-secretária de Educação da gestão anterior, professora Mariza Bonfim. Em participação também relâmpago no podcast Pod Pensar, Mariza afirmou, com a serenidade de quem conhece o campo de batalha:
“Em toda a minha vida, sempre trabalhei em prol da cidade de Simões Filho, independentemente de lado político-partidário, mas sim por uma educação de excelência.”
Pronto. Foi o suficiente.
A declaração, transmitida ao vivo para mais de 500 dispositivos conectados, caiu como uma verdadeira bomba na opinião pública. Em questão de horas, o conteúdo ultrapassou 305 mil visualizações, gerou centenas de compartilhamentos e milhares de comentários — muitos deles clamando, sem rodeios, pelo retorno de Mariza Bonfim à condução da Educação municipal, hoje mergulhada, segundo relatos populares, em um de seus períodos mais críticos.
E como não poderia faltar tempero nesse caldo político, entra em cena o jornalista Jairo Conceição, do site Vamos Adiante, que publicou uma análise — digamos — no mínimo curiosa.
Em sua fala, Jairo afirmou que o governo Del do Cristo Rei vem realizando uma “excepcional administração pública”.
Excepcional… sim, mas talvez no sentido mais filosófico do termo.
Comentário do Bom Velhinho…
Jairo, ao que parece, deve estar se referindo a outro Del. Talvez de outra Simões Filho. Quem sabe de uma versão paralela da cidade — uma espécie de “Nárnia City”, onde tudo funciona, a educação é exemplar e os serviços públicos beiram a perfeição.
Porque na Simões Filho real, aquela que o povo enfrenta todos os dias, a narrativa é outra: escolas com falta de cadeiras, alunos sem aulas regulares e merendas resumidas a dois biscoitos água e sal acompanhados de um copo de “kisuco” ralo — uma dieta, no mínimo, questionável para quem deveria estar construindo o futuro.
Mas Jairo foi além.
Em tom enfático — quase performático —, afirmou que Mariza Bonfim e seu esposo, o ex-vereador e ex-secretário de Mobilidade Urbana Jackson Bonfim, “fazem parte do passado”, sugerindo que o prefeito deveria apostar em “novos personagens”.
Comentário do Bom Velhinho…
Ora, Jairo… será mesmo?
Se for para apostar em “novos talentos” nos moldes recentes — jovens, inexperientes e, sobretudo, inertes — talvez o laboratório político já esteja funcionando há algum tempo… com resultados, digamos, bastante visíveis.
Curioso também é esquecer que, nos bancos acadêmicos, ninguém aprende com iniciantes: aprende-se com mestres experientes, com trajetória, com prática e, principalmente, com resultados.
E há um detalhe que parece ter escapado nessa análise: a opinião pública — essa mesma que não costuma ser convidada para certas decisões — já se manifestou. E de forma bastante clara.
Entre ironias, críticas e verdades incômodas, o fato é que Simões Filho segue sendo palco de uma disputa não apenas política, mas também narrativa.
E como sempre, cabe ao cidadão — esse personagem muitas vezes ignorado — assistir, analisar e, quando possível, tirar suas próprias conclusões.
Porque, no fim das contas, entre discursos e realidades… a cidade continua sendo a mesma.


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