Por Alberto de Avellar – Simões Filho, a cidade icônica dos absurdos, mais uma vez nos brinda com um daqueles episódios que parecem roteiro de comédia — mas que, na verdade, revelam um drama vivido diariamente por alunos da rede pública municipal.
Nesta semana, a Prefeitura anunciou com pompa e circunstância a realização de uma ação do programa “Se Liga Jovem”, promovida na Escola Municipal Diácono Fernando Brito, em alusão ao Dia Mundial da Obesidade.
Segundo a versão oficial divulgada pela chamada imprensa chapa branca, tudo foi perfeito: palestras educativas, orientações nutricionais, atendimentos clínicos e muita conscientização sobre hábitos saudáveis.
No papel — e nas fotos oficiais — tudo muito bonito.
Mas como costuma dizer o Bom Velhinho, entre a propaganda e a realidade existe um abismo.
Enquanto autoridades discursavam sobre alimentação saudável, qualidade de vida e prevenção da obesidade, estudantes da rede municipal enfrentavam uma realidade bem diferente dentro das escolas.
E a pergunta que ecoou entre pais, alunos e professores ao longo do dia foi simples:
Que exemplo de alimentação saudável está sendo dado aos estudantes?
Segundo relatos que chegaram à redação das Crônicas do Bom Velhinho, a merenda distribuída em diversas escolas do município se resume, em muitos casos, a algo que dificilmente pode ser chamado de refeição escolar: dois biscoitos cream cracker e um pequeno copo de suco extremamente diluído, basicamente água com açúcar.
E pronto.
Essa foi, para muitos alunos, a chamada “alimentação escolar”.
Ou seja: enquanto se fazem palestras sobre nutrição ideal, na prática os estudantes recebem uma merenda que está muito longe de representar qualquer referência de alimentação saudável.
O famoso “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.
E os problemas não param por aí.
Além das reclamações sobre a merenda, alunos também relatam condições estruturais preocupantes nas unidades escolares: salas de aula excessivamente quentes, ventiladores quebrados, falta de carteiras suficientes e escassez de fardamento escolar.
Situações que deveriam ser prioridade absoluta de qualquer gestão educacional.
Tudo isso ocorre sob a gestão da secretária municipal de Educação, Heliene Mota, em um momento em que a administração municipal insiste em divulgar ações institucionais como grandes avanços.
Enquanto isso, a realidade vivida por estudantes e professores parece contar uma história bem diferente.
Porque promover palestras é importante. Mas garantir merenda de qualidade, infraestrutura digna e condições adequadas de ensino é muito mais.
No final das contas, fica a dúvida que muitos pais começam a fazer:
Será que o programa deveria se chamar “Se Liga Jovem” ou “Se Liga na Propaganda”?
Porque, em Simões Filho, quando se trata de educação pública, às vezes o discurso é saudável, mas a realidade continua indigesta.
Fica a reflexão.

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