Ad Code

Responsive Advertisement

E O POVO ESTÁ REVOLTADO : O BAFAFÁ AGORA É NO TRANSPORTE ESCOLAR !!!



Por Alberto de Avellar — Meus inquietos, pensantes e já revoltados leitores de Simões Filho, a cidade que insiste em transformar o absurdo em rotina e o sofrimento do povo em paisagem administrativa…


Pois é… o bafafá da vez agora estacionou — literalmente — no transporte escolar da comunidade quilombola de Palmares.



E não foi por capricho, nem por politicagem barata, nem por invenção de adversário. Foi no grito, no desespero e na coragem de mães revoltadas, cansadas de assistir seus filhos sendo tratados como se fossem carga, amontoados dentro de um ônibus escolar que, segundo denúncias feitas no local, só sai quando está completamente lotado, abarrotado de estudantes e até de caronas.


As mães, já sem suportar tanto descaso, resolveram agir: impediram a saída do ônibus do ponto. O motivo? Simples, grave e revoltante: o veículo estava tão cheio que os estudantes já não conseguiam sequer entrar.


E aí eu pergunto: que gestão é essa?

Que poder público é esse que permite que crianças e adolescentes de uma comunidade quilombola sejam submetidos a esse tipo de humilhação diária?

Cadê o respeito? Cadê a dignidade? Cadê a responsabilidade com o dinheiro público?


Segundo os relatos das mães, essa não é uma situação isolada. É a realidade de todos os dias. Os estudantes seguem para a escola em condições precárias, em ambiente de superlotação, chegando cansados, suados, passando mal, sem condições adequadas sequer para começar o turno escolar com o mínimo de dignidade.


Isso não é apenas desorganização.

Isso é desrespeito.

Isso é negligência.

Isso é o retrato de uma gestão pública que falha justamente onde não poderia falhar: na proteção das crianças e no acesso à educação.


E a denúncia fica ainda mais grave quando surge a informação de que o ônibus escolar, pago com recursos do FUNDEB, estaria sendo utilizado também para transportar pessoas que não fazem parte do público estudantil, as chamadas “caronas”. Há ainda, segundo as denúncias feitas pelas mães, a informação de que essa liberação estaria ocorrendo por influência política.


Se isso for verdade, o caso é gravíssimo.


Recursos da educação têm finalidade específica. Transporte escolar existe para garantir o acesso seguro e digno dos alunos à escola, não para atender favores, apadrinhamentos ou interesses paralelos. Mexer com verba da educação, sobretudo quando se trata de estudantes de comunidade quilombola, é brincar com coisa séria demais.


A comunidade de Palmares não está pedindo luxo.

Não está pedindo favor.

Está exigindo o básico: um transporte escolar digno, seguro e exclusivo para os estudantes.


E quando mães precisam barrar um ônibus para defender o direito dos próprios filhos, é porque o poder público já falhou muito antes de o motor ser ligado.


Alô, Ministério Público.

Alô, órgãos de fiscalização.

Alô, autoridades que ainda têm compromisso com a lei e com a infância.


O que está sendo denunciado precisa ser apurado com rigor. Porque educação não pode ser tratada na gambiarra. Criança não pode viajar espremida. Comunidade quilombola não pode continuar sendo invisibilizada. E dinheiro público não pode servir de combustível para abuso, improviso e politicagem.


Em Simões Filho, pelo visto, até o ônibus escolar virou palco do velho enredo do poder sem freio.


E o povo, cansado de ser passageiro do descaso, começou a puxar o freio de mão.

Postar um comentário

0 Comentários