Por Alberto de Avellar – Meus inquietos pensantes da cidade icônica dos absurdos…
Enquanto a população ainda tenta entender os empréstimos milionários aprovados a toque de caixa, a Prefeitura de Simões Filho sanciona, no último dia 26 de fevereiro, a Lei Ordinária nº 1359/2026, criando oficialmente o sistema de Estacionamento Rotativo Pago — a famosa Zona Azul.
Publicou no Diário Oficial?
Está em vigor.
Já está valendo.
Mas a pergunta que ecoa nas ruas é outra:
Organização do trânsito ou mais uma taxa no bolso do cidadão?
Mobilidade urbana ou arrecadação estratégica?
Planejamento técnico ou engenharia política?
A COINCIDÊNCIA DO CALENDÁRIO
Ano eleitoral.
A cidade enfrenta crise econômica, comércio fragilizado, aumento do endividamento público, empréstimos internacionais aprovados, e agora surge mais um sistema de cobrança direta do contribuinte.
A Zona Azul é apresentada como solução para:
• Rotatividade de vagas
• Organização do centro
• Estímulo ao comércio
Mas toda política pública precisa responder a três perguntas básicas:
1. Houve audiência pública ampla?
2. Existe estudo técnico de impacto econômico no comércio local?
3. Quem vai operar o sistema?
QUEM ADMINISTRA O DINHEIRO?
Aqui começa o ponto sensível.
A lei cria o sistema.
Mas a operação será direta pelo município?
Será concedida a empresa privada?
Haverá licitação transparente?
E mais: Qual será o percentual de arrecadação?
Quanto o município estima arrecadar por mês?
Para onde vai esse recurso?
Porque a experiência nacional mostra que Zona Azul virou, em muitos municípios, máquina arrecadatória.
QUEM GANHA COM ISSO?
O cidadão pagará.
Mas quem será o beneficiário real?Empresa concessionária?
Grupos empresariais locais?
Aliados políticos?
Projetos eleitorais 2026/2028?
Deputados com base eleitoral no município?
Não estamos afirmando nada.
Estamos perguntando e perguntar não é crime é dever cívico.
O COMÉRCIO FOI OUVIDO?
O pequeno comerciante do centro já sofre com: Queda nas vendas endividamento da população, concorrência digital, falta de estacionamento adequado.
Agora o consumidor terá que pagar para estacionar. Isso estimula ou afasta?
A CIDADE QUE PAGA A CONTA
Simões Filho já convive com: Empréstimos milionários, dívida crescente, contratos elevados na saúde, obras inacabadas e estruturas deterioradas. E agora, mais uma cobrança direta.
Pode ser legal. Pode ser constitucional, mas é oportuno?
A TRANSPARÊNCIA SERÁ TOTAL?
A população merece saber:
Qual o valor da hora?
Haverá isenção para idosos e pessoas com deficiência?
Como será a fiscalização?
Qual o impacto anual estimado de arrecadação?
Haverá conselho fiscalizador?
Sem transparência, Zona Azul vira Zona Cinza.
O BOM VELHINHO NÃO ACUSA. ELE QUESTIONA O QUE MUITOS NÃO O FAZEM..
Porque cidade madura não teme debate.
Se é para organizar, que organize é para arrecadar, que diga claramente. Se é para fortalecer projetos políticos futuros, que a população saiba.
O que não pode é o cidadão ser sempre o último a saber…
E o primeiro a pagar. Simões Filho precisa de mobilidade. Mas precisa, antes de tudo, de transparência.
A pergunta final é simples: A Zona Azul vem para organizar o trânsito ou para organizar caixa eleitoral?
A cidade observa e o Bom Velhinho cobra soluções.

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