Por Alberto de Avellar - Meus inquietos pensantes da cidade icônica dos absurdos, Simões Filho… até aniversário virou ato político. E não foi apenas vela, bolo e parabéns.
Foi demonstração de força, desfile de aliados, fotografia com deputados, articulação federal e recado de poder.
E Del, a cereja do bolo do endividamento, nas comemorações de seu aniversário surpresa — que de surpresa não teve nadinha de nada…
Onde a surpresa real foram apenas os deputados federais querendo “comer a cereja do bolo”. O homem do “Novo Tempo com velhas práticas "Dinhescas" ”, teve até vídeo de deputado federal e candidato ao governo do Estado, cheio de coraçãozinhos nos olhos, querendo se aproximar do pequeno gigante, que foi firme e declarou:
“A minha deputada é Kátia Oliveira.”
Mas a pergunta que ecoa nas ruas não é sobre a festa.
É sobre a conta.
Porque, enquanto o prefeito comemora em grande estilo, cercado por lideranças estaduais e federais, a Câmara de Vereadores do município acaba de autorizar um empréstimo, a pedido do prefeito Del, na casa dos R$ 400 milhões — uma cifra capaz de comprometer gerações inteiras.
E aí começa o filme que o povo de Simões Filho já viu antes.
Quem não lembra dos empréstimos da gestão Dinha, superiores a R$ 120 milhões, que passaram a consumir milhões mensais em juros? Quem não lembra das promessas de obras estruturantes que demoraram, não apareceram ou ficaram pelo caminho? Quem não lembra do discurso de prosperidade enquanto o comércio local enfraquece, os serviços públicos enfrentam críticas e a população sente o peso da crise no bolso?
Agora o roteiro parece se repetir.
Nos bastidores políticos, comenta-se sobre acordos silenciosos, pacificações estratégicas e alinhamentos eleitorais que teriam antecedido a aprovação do novo endividamento. Fala-se em compromissos para eleições futuras, apoios cruzados, composição de grupos e distribuição de forças.
Oficialmente, nada disso existe. Extraoficialmente, a cidade inteira comenta.
E quando a política começa a ser explicada mais pelos corredores do que pelos documentos públicos, o alerta deve acender.
Outro ponto que jamais foi totalmente esclarecido à população envolve o recadastramento do funcionalismo, quando se ventilou a existência de cerca de 1.200 possíveis funcionários irregulares (“fantasmas”). O assunto surgiu, causou impacto e, de repente, desapareceu do debate público como se nunca tivesse existido.
Transparência não pode ser evento de um dia. Transparência precisa ser regra permanente.
Porque empréstimo público não é dinheiro de campanha. Não é dinheiro de grupo político. Não é dinheiro de articulação. É dívida social.
Dívida que atravessa mandatos e reduz a capacidade de investimento futuro. Dívida que pode pressionar a folha salarial e travar serviços públicos.
Dívida que o povo paga.
E, enquanto a classe política posa para fotos em festas, quem trabalha em escola pública, hospital, transporte e comércio quer saber apenas uma coisa:
Onde exatamente esse dinheiro será investido?
Quais obras?
Qual cronograma?
Qual retorno econômico?
Qual impacto real na vida da população?
Sem respostas objetivas, festa vira símbolo de poder para poucos e de preocupação para muitos.
Simões Filho não precisa de celebração de endividamento. Precisa de prestação de contas.
Porque o bolo acaba, a foto envelhece e o mandato passa.
Mas a dívida, essa fica.
E quem paga o parabéns hoje pode pagar a conta por trinta anos.
O Bom Velhinho avisa:
Quando político comemora demais, o contribuinte deve conferir a carteira.




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