Por Alberto de Avellar – Simões Filho voltou a assistir a um velho filme já conhecido — só mudaram alguns figurantes, mas o roteiro segue o mesmo.
A Semana da Cultura Gospel deixou um legado que vai muito além dos louvores e dos palcos iluminados. O evento marcou, sem qualquer esforço de disfarce, o retorno do ex-prefeito Diógenes Tolentino (Dinha) aos holofotes da política local. E como todo espetáculo de grande produção, ficou evidente: não é coisa para amadores.
Enquanto Dinha surge como o protagonista absoluto da cena política, o atual prefeito Del do Cristo Rei demonstrou, por A mais B, que não passa de um coadjuvante, alguém que ocupa espaço, mas não conduz a narrativa.
Del parece ainda não ter aprendido quando falar, como falar e, principalmente, quando agir. Em diversos momentos, passa a impressão de atuar mais como porta-voz informal do ex-prefeito, do que como chefe do Executivo municipal.
A INSATISFAÇÃO DOS PROFESSORES
O desgaste ficou explícito logo no primeiro dia da Jornada Pedagógica, quando professores da rede municipal passaram a verbalizar, de forma aberta, o sentimento que circula há meses nos bastidores:
“DEL NÃO CHEGA AOS PÉS DE DINHA.”
A frase, atribuída a uma professora da rede, resume o clima de desmotivação, frustração e descrédito vivido pela categoria.
EDUCAÇÃO EM COLAPSO.
A atual gestão da Secretaria de Educação, comandada por Heliene Mota, enfrenta dificuldades crescentes. A tentativa de apresentar resultados superiores aos da ex-secretária Mariza Bomfim esbarra na realidade das escolas.
É importante recordar que a gestão anterior deixou R$ 24.700.000,00 (vinte e quatro milhões e setecentos mil reais) em caixa, valores destinados à construção de creches e ao pagamento de professores.
Passados dois anos, o cenário observado é outro:
• Cortes salariais de professores e dirigentes escolares
• Falta de materiais didáticos atualizados
• Ausência de equipamentos pedagógicos adequados
• Professores desmotivados
• Fardamento escolar inexistente
• Nenhuma melhoria concreta na estrutura educacional
A Jornada Pedagógica, que deveria representar planejamento e valorização, acabou se tornando um espelho da crise instalada na educação pública municipal.
PERGUNTAS QUE NÃO QUEREM CALAR
Diante desse cenário, permanecem questionamentos inevitáveis:
• Onde foram aplicados os recursos deixados em caixa?
• Quem responde pelo desmonte da educação pública?
• Até quando a educação de Simões Filho será tratada como coadjuvante da política local?
O desenrolar da próxima semana pode trazer novos capítulos. Mas, até aqui, o roteiro indica um governo sem protagonismo, sem comando e sem respostas claras à população.
Em Simões Filho, a educação pede direção, respeito e compromisso — não promessas repetidas.

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