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VENEZUELA: PETRÓLEO, MINERAIS, CRITICOS E A FORÇA DOS EUA !!!



Por Alberto de Avellar - No tabuleiro da geopolítica do século XXI, energia e minerais críticos viraram o “novo petróleo” — e, em muitos casos, viraram também o novo motivo de disputa. A operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, com ataques e a captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa Cilia Flores (levados para responder a acusações nos EUA), é um evento que ultrapassa a fronteira do noticiário: ele mexe com as regras do jogo internacional. 


1) O “coração energético” continua sendo petróleo — e a Venezuela é gigante nisso


A Venezuela segue sendo um país-chave quando o assunto é reservas e potencial de petróleo. Em cenários de tensão no Oriente Médio, competição EUA–Rússia, e instabilidade em cadeias de suprimento, qualquer país com grande capacidade petrolífera entra no radar estratégico. É por isso que, no discurso público e nos bastidores, a Venezuela costuma aparecer como “peça” capaz de influenciar preços, sanções, rotas e alianças.

Na leitura geopolítica, petróleo não é só combustível: é alavanca diplomática, é moeda de poder, é capacidade de pressionar adversários e agradar aliados.

2) Mas o salto do século XXI é outro: minerais críticos e “terras raras”

Aqui entra a segunda camada: a disputa por minerais críticos e por cadeias industriais que sustentam tecnologia, defesa e transição energética.

Há reportagens e análises apontando que a Venezuela tem potencial e interesse em recursos minerais estratégicos, incluindo insumos associados ao universo de “terras raras” e outras matérias-primas críticas, frequentemente exploradas de forma irregular e com grande impacto socioambiental em certas regiões. 

E por que isso importa tanto?

Porque hoje a China não domina apenas a extração — domina sobretudo o refino/processamento e partes decisivas da cadeia de fornecimento global de vários minerais. Assim, para Washington, reduzir dependência chinesa não é só abrir uma mina aqui e ali: é controlar a cadeia inteira (mineração, separação, refino, fabricação). A Venezuela, por localização, recursos e história de tensões com os EUA, vira um ponto sensível nesse xadrez. 

3) A captura de Maduro e Cilia Flores: mensagem de força e “precedente perigoso”

O impacto político global do episódio não está apenas no “o que aconteceu”, mas no “o que passa a ser permitido”.

Especialistas e juristas vêm questionando a legalidade internacional da ação, lembrando a regra geral da Carta da ONU que proíbe o uso da força contra outro Estado, salvo exceções muito específicas (como legítima defesa contra ataque iminente ou autorização do Conselho de Segurança). Essa contestação, se virar consenso político, deixa um recado preocupante: se uma potência pode capturar um chefe de Estado no exterior, outras potências podem tentar justificar atos semelhantes em seus próprios conflitos. 

É aí que nasce o “significado político para o mundo”:

 • Erosão de normas internacionais: enfraquece a previsibilidade do sistema. 

 • Risco de escalada regional: a América Latina passa a operar sob maior tensão e desconfiança. 

 • Efeito dominó geopolítico: adversários dos EUA podem usar o caso como argumento para ações próprias (“se pode lá, pode aqui”). 

4) A narrativa oficial versus a leitura estratégica

Publicamente, a justificativa aparece ligada a segurança, crime transnacional e narcotráfico/terrorismo, com acusações formais nos EUA. 

Já na leitura geopolítica, muita gente vai além: vê o episódio como parte de uma tentativa de reposicionar o controle político sobre um país com petróleo e com ativos minerais relevantes, além de reduzir espaços de influência de rivais (China, Rússia, Irã) na região.

O ponto central é: mesmo quando o discurso é jurídico e de segurança, a geopolítica quase sempre está no pano de fundo — porque poder internacional é, no fim, sobre energia + tecnologia + controle de rotas e cadeias produtivas.

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