Por Alberto de Avellar - O papel do cronista político é comentar fatos existentes e reais, contestar, criticar e, principalmente, alertar seus leitores sobre as constantes cortinas de fumaça criadas para encobrir o desvio de verbas públicas — recursos oriundos do suor dos trabalhadores, pagos em impostos, que deveriam servir ao desenvolvimento coletivo e não aos interesses de apenas alguns mais chegados ao poder.
Somente para lembrar, nas últimas edições das Crônicas do Bom Velhinho, alertamos reiteradamente sobre contratos firmados sem o mínimo de transparência, o que leva qualquer cidadão minimamente atento a suspeitar de desvios de verbas públicas.
Vejamos alguns exemplos recentes:
• Semana da Cultura Gospel: contratação de cantores e estrutura com metas de faturamento que ninguém consegue explicar;
• Saúde pública: a contratação de uma nova empresa terceirizada que simplesmente dobrou o valor do contrato anterior;
• Educação: esta virou brincadeira de criança — e para crianças — com valores faraônicos oriundos do Governo Federal, sem que ninguém consiga explicar onde foram parar;
• Rodoviária: mais de R$ 22 milhões em empréstimos, gastos basicamente com remoção de terra;
• Transporte Universitário: um novo contrato para garantir o que já está previsto no Estatuto da Juventude;
• Obras públicas: mais um aditamento superior a R$ 3 milhões mensais para o término de obras que, na prática, nunca começaram.
Fica aqui uma dica, embora desnecessária: o transporte público é um verdadeiro caos urbano. A população permanece ilhada em suas próprias casas, tendo cerceado um direito constitucional básico — o direito de ir e vir.
Mas, todavia, contudo… bastaria 50% dos valores envolvidos nesses contratos milionários e supostamente superfaturados para que o município pudesse adquirir, à vista, cerca de 100 ônibus, micro-ônibus e vans, solucionando de forma definitiva o colapso do sistema de transporte.
Mais do que isso: seria possível garantir um ano inteiro de transporte gratuito para a população e, no segundo ano, ainda construir a tão sonhada rodoviária com os recursos gerados pelo próprio sistema de transporte.
Acredite se quiser.
É possível.
Basta querer.
E, principalmente, esquecer o desvio de verbas públicas.

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