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O TABULEIRO PARA A CAMPANHA 2028, JÁ ESTÁ SENDO MONTADO.



Certa vez, um grande amigo me deu um conselho que jamais esqueci:
“Saia das planícies dos campos de batalha e venha para o alto.”


E assim o fiz!

Nas planícies está o centro nervoso das batalhas políticas. É justamente ali que todas as peças do tabuleiro se enfrentam, buscando dar o tão esperado xeque-mate no rei de um lado ou do outro.

Já no alto estão os estrategistas, os articuladores, os marqueteiros e os publicitários, aqueles que estudam cada movimento das peças, procurando antecipar, no mínimo, cinco jogadas do adversário.

E é justamente dessa posição privilegiada que devemos observar o atual cenário político de Simões Filho.

Passadas 72 horas da histórica batalha eleitoral de 4 de outubro, o tabuleiro político simões-filhense já apresenta uma nova configuração.

De um lado, o ex-prefeito Diógenes Tolentino, o conhecido Dinha, enfrenta os desdobramentos de uma decisão judicial relacionada ao famoso empréstimo contratado junto à Caixa Econômica Federal.

Do outro, o povo de Simões Filho foi às urnas e aplicou uma derrota política à sua principal representante na Assembleia Legislativa da Bahia, a deputada Kátia Oliveira, que não conseguiu conquistar a reeleição.

O resultado também representou um enfraquecimento político de aliados do ex-prefeito, entre eles o deputado federal Paulo Azi, dentro do cenário eleitoral do município.

Na minha leitura, o eleitorado colocou o “Rei Dinha” em xeque-mate, pelo menos no que diz respeito à sua capacidade de comandar, como antes, os destinos políticos de Simões Filho.

E agora?

Como diz o velho ditado popular:

“Rei morto, rei posto!”

Com a queda política do rei e de sua rainha, a peça mais importante do atual tabuleiro passa a ser o prefeito Devaldo Soares, o popular Del do Cristo Rei.

Até então, pairava sobre o prefeito uma pergunta que incomodava os observadores da política local:

Del é líder ou liderado?

Agora, com o enfraquecimento de Dinha e a derrota eleitoral de Kátia Oliveira, Del tem diante de si uma oportunidade histórica: assumir definitivamente o comando político e administrativo do município e começar a preparar o terreno para a grande batalha de 2028.

À primeira vista, muitos podem imaginar que as forças políticas estão desfavoráveis ao atual prefeito.

Ledo engano!

É justamente por essa razão que precisamos sair das planícies e observar o tabuleiro do alto.

FIINHA: A NOVA FORÇA POLÍTICA DO TABULEIRO

A batalha eleitoral de 4 de outubro revelou uma peça que poderá ter importância fundamental nos próximos movimentos políticos de Simões Filho.

Estou falando da primeira-dama Fiinha!

Mulher negra, de origem humilde, criada na periferia e conhecedora das dificuldades enfrentadas pela população mais carente, Fiinha reúne características que podem transformá-la numa importante força de articulação política.

Seu jeito simples, sua proximidade com as comunidades e sua identificação com o sofrimento das famílias que dependem dos serviços públicos municipais representam um patrimônio político que não pode ser desprezado.

Enquanto muitos políticos precisam de grandes estruturas de marketing para tentar conquistar a simpatia popular, Fiinha demonstra possuir uma qualidade que não se compra com dinheiro:

A capacidade de se identificar com o povo!

Na minha avaliação, a primeira-dama poderá se tornar uma das principais peças de articulação do prefeito Del no caminho até 2028.

Mas, para isso, será necessário compreender que uma eleição não se vence apenas com discursos, abraços e fotografias.

É preciso apresentar resultados!

DEL RECEBEU DA PRÓPRIA OPOSIÇÃO O CAMINHO PARA GOVERNAR

Pode parecer contraditório, mas considero que a própria oposição entregou ao prefeito Del uma oportunidade extraordinária de reorganizar sua administração.

Basta ter coragem política para romper com as práticas administrativas que marcaram o governo anterior e construir sua própria identidade como gestor público.

Em outras palavras:

Del precisa desatar os nós deixados pelo governo Dinha!

E o primeiro grande desafio está justamente na estrutura administrativa do município.

Simões Filho, uma cidade com aproximadamente 140 mil habitantes, não precisa necessariamente manter uma estrutura gigantesca de secretarias, superintendências, cargos comissionados e despesas administrativas.

Na minha avaliação, seria possível realizar um estudo técnico para reduzir a atual estrutura, mencionada como composta por 24 secretarias e superintendências, para um modelo com aproximadamente 14 secretarias operantes.

Uma administração mais enxuta, eficiente e comprometida com as necessidades da população.

Menos burocracia!

Menos desperdício!

Mais investimentos em saúde, educação, infraestrutura e assistência social!

O PESO DA MÁQUINA PÚBLICA SOBRE OS COFRES MUNICIPAIS

Segundo informações atribuídas ao secretário municipal de Finanças durante audiência pública, Simões Filho comprometeria aproximadamente 53% de suas receitas com a folha de pagamento e outros 8% com o pagamento de empréstimos.

Considerando, como hipótese, uma arrecadação mensal de R$ 60 milhões e a aplicação desses percentuais sobre a mesma base de cálculo, estaríamos falando de aproximadamente R$ 36,6 milhões mensais comprometidos com essas duas despesas.

É dinheiro demais!

E a pergunta que precisa ser feita é simples:

Quanto desse dinheiro poderia ser economizado com uma reforma administrativa séria e responsável?

A extinção ou fusão de dez estruturas administrativas poderia representar uma redução significativa de despesas com aluguéis, cargos comissionados, material de expediente, energia elétrica, água, telefone, veículos e outros custos operacionais.

Também seria necessário realizar uma auditoria rigorosa nos contratos temporários, nas contratações pelo REDA e na folha de pagamento.

Quanto às denúncias sobre a suposta existência de 1.200 funcionários fantasmas, trata-se de uma acusação gravíssima que precisa ser devidamente investigada e comprovada pelos órgãos competentes.

Se houver servidores recebendo sem trabalhar, os responsáveis deverão responder por seus atos, respeitados o devido processo legal e os direitos dos trabalhadores.

Não se pode confundir combate ao desperdício com perseguição a servidores que cumprem honestamente suas funções.

Uma reforma administrativa responsável deverá preservar os serviços essenciais e respeitar a legislação.

UMA ECONOMIA MILIONÁRIA PODERIA MUDAR O DESTINO DA CIDADE

Defendo que o prefeito Del determine imediatamente um levantamento completo das despesas da administração municipal.

Uma verdadeira radiografia das contas públicas!

A partir desse diagnóstico, seria possível estabelecer metas de economia, revisar contratos, eliminar estruturas desnecessárias e redirecionar recursos para as áreas prioritárias.

Uma eventual economia de R$ 20 milhões mensais, caso demonstrada por estudos técnicos e financeiros, representaria R$ 80 milhões em apenas quatro meses.

Entretanto, para transformar essa possibilidade em realidade, seria necessário comprovar a viabilidade dos cortes e verificar quais recursos poderiam legalmente ser utilizados para amortizar obrigações financeiras, inclusive aquelas relacionadas ao empréstimo da Caixa Econômica Federal.

O importante é compreender que uma administração eficiente não pode continuar gastando recursos públicos apenas para sustentar estruturas políticas.

O dinheiro do povo precisa voltar para o povo!

2028 JÁ COMEÇOU, MAS A PRÓXIMA JOGADA É DE DEL!

Voltando ao tabuleiro de xadrez, precisamos compreender que a derrota de uma rainha e o enfraquecimento de um rei não significam necessariamente o fim da partida.

Na política, peças aparentemente derrotadas podem ser reorganizadas, alianças podem mudar e adversários de ontem podem se transformar nos aliados de amanhã.

Por isso, o prefeito Del não pode cometer o erro de acreditar que o caminho até 2028 estará livre de obstáculos.

Muito pelo contrário!

A eleição de 2026 modificou a correlação de forças, abriu novos espaços e colocou outros personagens em condições de disputar o protagonismo político de Simões Filho.

Mas Del possui algo que nenhum dos seus adversários tem neste momento:

A caneta, a responsabilidade de governar e a oportunidade de mostrar que possui liderança própria.

E, ao seu lado, poderá contar com Fiinha, uma primeira-dama que, na minha avaliação, começa a conquistar identidade política própria junto à população.

Agora, o prefeito precisa decidir se continuará administrando sob a influência do passado ou se terá coragem de construir seu próprio futuro.

Porque, daqui para frente, a grande pergunta já não será apenas quem vai seguir Dinha ou quem vai abandonar o antigo grupo político.

A pergunta que realmente importa é:

O QUE DEL VAI FAZER COM O PODER QUE TEM NAS MÃOS?

O tabuleiro para 2028 já está montado.

As peças estão se movimentando.

Os estrategistas observam tudo do alto.

E o povo de Simões Filho, que acaba de demonstrar sua força nas urnas, continuará sendo o verdadeiro juiz dessa partida.

A próxima jogada pertence ao prefeito Del do Cristo Rei!

E, como sempre digo nas minhas crônicas políticas:

Na política, quem não consegue antecipar os movimentos do adversário corre o risco de descobrir que já levou o xeque-mate quando não existe mais nenhuma peça para movimentar!

TEXTO. — Alberto de Avellar
IMAGEM DA CAPA DA MANCHETE - Mario Nobre, Site Tudo é Política.

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