CONTRATOS MILIONÁRIOS DA GESTÃO DINHA ENTRAM NA MIRA DO MP ENQUANTO SAÚDE DE SIMÕES FILHO ENFRENTA COBRANÇAS...
Contrato de mais de R$ 80 milhões com a FABAMED é investigado por possíveis irregularidades na aplicação de recursos públicos; outro contrato, de quase R$ 15 milhões, também é alvo de apuração
Os números são milionários. As perguntas, inevitáveis.
O Ministério Público do Estado da Bahia abriu uma nova frente de investigação envolvendo contratos celebrados pela Prefeitura de Simões Filho durante a administração do ex-prefeito Diógenes Tolentino, o Dinha.
Desta vez, a apuração alcança um contrato de R$ 80.049.459,60, identificado como Contrato de Gestão nº 0275/2023, firmado para o gerenciamento, operacionalização e execução de ações e serviços públicos de saúde.
Segundo informações divulgadas sobre o procedimento, o Ministério Público busca verificar possíveis irregularidades e ilegalidades na aplicação dos recursos públicos, além de eventuais inconsistências ou falhas na execução financeira do contrato. (Aratu On)
R$ 80 MILHÕES PARA A SAÚDE
O contrato envolveu o Fundo Municipal de Saúde de Simões Filho e a Fundação ABM de Pesquisa e Extensão na Área da Saúde — FABAMED, responsável pela gestão e operacionalização de serviços no Hospital Municipal de Simões Filho e no Ambulatório de Especialidades Dr. Sérgio Macedo.
A própria FABAMED informou, em nota divulgada em fevereiro de 2026, que administrou essas unidades entre 29 de dezembro de 2023 e 29 de dezembro de 2025, por meio do Contrato de Gestão nº 0275/2023. (Panorama de Notícias)
Agora, a execução financeira desse contrato está sob apuração.
E é exatamente neste ponto que surge a pergunta que interessa diretamente à população:
Como foram aplicados os mais de R$ 80 milhões destinados à gestão dessas unidades de saúde?
A existência da investigação não significa, por si só, que houve desvio ou que os envolvidos tenham cometido alguma ilegalidade. Caberá ao Ministério Público analisar documentos, pagamentos, prestações de contas e demais elementos para determinar se houve irregularidades e, eventualmente, apontar responsabilidades.
NÃO É O ÚNICO CONTRATO SOB APURAÇÃO
O caso da saúde surge poucos dias depois de outra investigação envolvendo contrato celebrado durante a gestão Dinha.
Em 21 de setembro de 2026, foi noticiada a instauração de procedimento para apurar possíveis irregularidades na execução de um contrato de aproximadamente R$ 14,8 milhões firmado com a LN Construtora Ltda. para serviços relacionados à macrodrenagem e urbanização de canais em Simões Filho. (Bnews
Portanto, são dois contratos distintos, com objetos diferentes e investigações próprias.
Somados apenas os valores divulgados desses dois contratos, estamos falando de aproximadamente R$ 94,9 milhões em contratações públicas que agora aparecem relacionadas a procedimentos de apuração do Ministério Público.
Importante: isso não significa que R$ 94,9 milhões estejam sob suspeita de desvio. Significa que contratos que totalizam aproximadamente esse montante estão relacionados a investigações sobre possíveis irregularidades.
E COMO FICOU A SAÚDE?
É justamente o tamanho do contrato da FABAMED que torna necessária uma prestação de contas clara à população.
Enquanto milhões de reais foram previstos para o gerenciamento e operacionalização dos serviços, usuários do sistema municipal de saúde precisam saber quais resultados foram efetivamente entregues: quantos atendimentos foram realizados, quais metas contratuais foram cumpridas, quanto foi efetivamente repassado, como os recursos foram utilizados e quais indicadores de qualidade foram alcançados.
A própria FABAMED, após o encerramento de sua gestão, afirmou publicamente que existiam valores contratuais pendentes de repasse pelo Município e relacionou essa situação às dificuldades para quitar integralmente obrigações trabalhistas e compromissos com fornecedores e profissionais. Segundo a entidade, naquele momento haviam sido pagas 75% das rescisões trabalhistas. Essa é a versão apresentada pela fundação e também precisa ser confrontada com os documentos oficiais e a posição da Prefeitura. (Panorama de Notícias)
O POVO TEM DIREITO DE SABER.
A questão, portanto, não deve ser transformada em condenação antecipada, mas também não pode ser tratada como assunto menor.
Um contrato superior a R$ 80 milhões envolvendo dinheiro destinado à saúde pública exige transparência.
As perguntas são objetivas:
Quanto dos R$ 80.049.459,60 foi efetivamente pago? Quais metas estavam previstas? Quais foram cumpridas? Houve glosas ou pagamentos questionados? Existem prestações de contas pendentes? O Município fiscalizou regularmente a execução do contrato? E quais irregularidades concretas levaram o Ministério Público a instaurar a apuração?
Essas respostas interessam especialmente a quem depende do Hospital Municipal e da rede pública.
O espaço das Crônicas do Bom Velhinho permanece aberto para manifestação da Prefeitura de Simões Filho, do ex-prefeito Diógenes Tolentino, da FABAMED e das demais partes mencionadas.
O Ministério Público agora investiga.
E enquanto a documentação é analisada, cabe uma pergunta que não pode ser respondida com discurso político:
onde, como e com quais resultados foram aplicados os milhões destinados à saúde de Simões Filho?

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