Meus nobres, inquietos e calejados leitores, a matemática eleitoral voltou a circular pelas redes sociais. Um dos cenários divulgados atribui à Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, algo entre 11 e 12 cadeiras na Assembleia Legislativa da Bahia.
Há, de fato, uma projeção partidária relatada pelo Bahia Notícias: aliados da federação trabalham com 10 cadeiras como piso de sua expectativa, consideram a 11ª possível e miram uma eventual 12ª. Isso, porém, é projeção política, não resultado eleitoral antecipado.
E é justamente aí que aparece uma pergunta interessante para quem gosta de fazer conta eleitoral:
como ficará a votação de Kátia Oliveira em 2026 diante das mudanças ocorridas nas bases que sustentaram seus 80.417 votos de 2022?
A matemática de 2022
Em 2022, Kátia Oliveira conquistou 80.417 votos para deputada estadual. Simões Filho respondeu sozinho por 26.470 votos, aproximadamente um terço de toda a votação da parlamentar. Salvador entregou 12.732; Teixeira de Freitas, 6.617; Camaçari, 6.418; Candeias, 1.721; Cabaceiras do Paraguaçu, 1.360; e Lauro de Freitas, 1.197.
Ou seja: os 80 mil não nasceram em árvore. Tinham endereço, liderança política, estrutura e bases municipais.
E é aí que mora a incógnita de 2026.
A imagem que circula nas redes coloca Kátia com uma estimativa de 80 mil votos, praticamente repetindo seu desempenho de quatro anos atrás. Mas estimativa de rede social não é urna eletrônica — e, até a apuração, qualquer número desse tipo deve ser tratado como projeção, não como fato.
Em Camaçari, por exemplo, Kátia obteve oficialmente 6.418 votos em 2022. Já Simões Filho foi, disparadamente, seu maior reduto: os 26.470 votos representaram cerca de 32,9% de toda a votação estadual da deputada.
Portanto, mais importante que perguntar se Kátia terá 80 mil, 60 mil ou 50 mil votos é observar quanto dessas bases de 2022 permanece efetivamente sob seu controle eleitoral em 2026.
E aí a calculadora começa a esquentar.
As alegações de que antigos apoiadores migraram para outras candidaturas — incluindo as situações citadas em Camaçari, Lauro de Freitas, Candeias, Cabaceiras do Paraguaçu e Extremo Sul — precisam ser verificadas individualmente antes de serem tratadas como perda certa de votos. Apoio político muda, mas eleitor não vem com escritura pública: voto de 2022 não é patrimônio registrado em cartório para 2026.
O mesmo vale para Simões Filho. A redução de 26.470 para cerca de 15 mil votos, mencionada nos bastidores e nas redes, é uma hipótese eleitoral, não um dado confirmado. Se ocorresse, representaria uma perda superior a 11 mil votos somente no principal reduto da parlamentar.
É justamente essa variável que torna o cenário digno de acompanhamento.
E Dinha?
O ex-prefeito Diógenes Tolentino continua sendo uma liderança diretamente associada à trajetória eleitoral de Kátia Oliveira em Simões Filho. Críticas e denúncias políticas envolvendo obras e gastos públicos vêm sendo levantadas por adversários e comunicadores locais, mas eventuais acusações de desvio de recursos precisam ser apresentadas como alegações e apuradas pelos órgãos competentes, não como culpa estabelecida sem decisão judicial.
Politicamente, a pergunta mensurável será outra: quanto da capacidade de transferência de votos demonstrada pelo grupo em 2022 permanece em 2026?
Essa resposta não virá de postagem, caminhada, paredão, bandeira ou fotografia de multidão.
Virá das urnas.
E tem mais uma ironia nessa história: a cadeira da Assembleia não aceita “votos em média” impressos em card de Instagram.
No dia da eleição, a urna contará voto por voto e, depois, entrarão em cena os cálculos do sistema proporcional.
Até lá, os 80 mil atribuídos a Kátia na imagem são uma projeção. Os 80.417 de 2022, estes sim, estão registrados na história eleitoral.
A grande questão de 2026, portanto, não é decretar antecipadamente se Kátia Oliveira será eleita ou ficará na suplência. É acompanhar uma pergunta objetiva:
quanto restou, quatro anos depois, da estrutura eleitoral que produziu aqueles 80.417 votos?

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