A saúde pública municipal, durante o governo do ex-prefeito Diógenes Tolentino (Dinha), sempre foi um dos maiores problemas da administração. O que já era ruim tornou-se ainda pior durante o período da pandemia. A falta de medicamentos e a precariedade do atendimento nos postos de saúde dos bairros passaram a fazer parte da rotina da população.
Em resumo, durante oito longos anos, praticamente tudo era resolvido com uma velha “maquiagem”. Houve os 10 leitos de UTI que nunca foi UTI, o Centro de Bioimagem vendido como solução definitiva, o Hospital Municipal e a UPA funcionando com equipamentos sucateados, além do desaparecimento da ambulância UTI Móvel, que sumiu sem maiores explicações...
Somavam-se a isso as intermináveis filas da Central de Regulação, instalada no Mercado Municipal, e da Central de Exames, que ocupava um andar inteiro da Galeria Gabriela, com elevador, centenas de funcionários e uma capacidade diária que, segundo críticas recorrentes, era incompatível com a estrutura disponível.
Sem falar que a Denúncia que o Hospital não tem licença de funcionamento da Vigilância Sanitária do Estado e do tempo que Jackson Bomfim era Gordinho.
Enquanto isso, imprensa, Legislativo e Executivo conviviam em um silêncio ensurdecedor. Para muitos, a explicação era simples: todos estavam, de alguma forma, “juntos e misturados”, hipnotizados pela velha “pegadinha na orelha”.
Em 2025, primeiro ano da gestão do prefeito Devaldo “Del Perdidinho” Soares, o discurso era de que tudo ainda seguia a Lei Orçamentária e o planejamento herdados da administração anterior.
Já em 2026, os problemas vieram à tona com maior intensidade e iniciou-se a busca por um culpado. A então secretária Iridan Brasileiro tornou-se o principal alvo das críticas, embora também tenha assumido uma estrutura marcada por problemas acumulados ao longo dos anos.
Vieram as manifestações populares, as denúncias, os debates na Câmara de Vereadores e os questionamentos sobre contratos milionários. Entretanto, poucos perceberam um fator importante: a superlotação do Hospital Municipal e da UPA também pode estar relacionada à deficiência do atendimento básico, à falta de medicamentos e às dificuldades enfrentadas nos postos de saúde dos bairros. Quando a atenção primária deixa de funcionar adequadamente, a população acaba procurando diretamente as unidades de urgência e emergência.
Agora, com a chegada da secretária Tainá, profissional reconhecida por sua experiência na área da saúde, muitos esperam um verdadeiro milagre, como se fosse possível solucionar, em poucos dias, problemas acumulados ao longo de nove anos e sete meses.
A grande pergunta que permanece é: de quem é, afinal, a responsabilidade pela crise da saúde municipal? Das ex-secretárias? Do ex-prefeito? Da atual gestão? Ou de um conjunto de decisões administrativas tomadas ao longo dos últimos anos?
Independentemente da resposta, uma coisa parece evidente: a população de Simões Filho não espera milagres. Espera uma saúde pública que funcione, com atendimento digno, medicamentos disponíveis e respeito ao cidadão.

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