Por Alberto de Avellar - A audiência pública sobre o sistema de transporte de Simões Filho, realizada nesta semana, expôs uma série de problemas estruturais e de gestão que vêm sendo apontados por usuários e representantes do poder público.
O evento ocorreu em meio a questionamentos sobre a transparência e a eficiência do sistema, que enfrenta dificuldades operacionais e uma redução significativa da frota em circulação.
O autor do texto relata que, no mesmo período da audiência, o portal Crônicas do Bom Velhinho foi temporariamente bloqueado sob acusação de fake news, embora tenha mantido o selo de verificação do Google retornando 48 horas após o termo de recurso.
A audiência foi acompanhada pelo YouTube e teve momentos de forte debate entre parlamentares e representantes da Secretaria de Mobilidade Urbana.
TRANSPARÊNCIA SEM TRANSPARÊNCIAS.
O vereador Roberto Souza criticou a gestão municipal e questionou o secretário Pedro da Kombi sobre a ausência de previsão de recursos para o sistema de transporte na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
Em resposta, o secretário afirmou:
> “Eu nem sabia da existência desta audiência pública, quanto mais qual seria o valor do repasse para o sistema de transporte.”
Ele também informou que, no ano anterior, o sistema recebeu aproximadamente R$ 4,4 milhões, valor que, segundo ele, foi suficiente apenas para cobrir a folha de pagamento dos funcionários.
O vereador voltou a questionar a gestão, solicitando informações sobre o número de servidores e os respectivos salários. O secretário, no entanto, afirmou não dispor desses dados no momento.
FROTA REDUZIDA.
Durante a audiência, o representante da COOTTASF também apresentou dados sobre a operação do sistema, destacando uma redução significativa da frota em circulação.
De acordo com as informações apresentadas, o sistema contava anteriormente com 181 veículos. Atualmente, esse número teria sido reduzido para cerca de 30, sendo que, em alguns dias, apenas 21 veículos estariam em operação devido a problemas mecânicos.
A situação foi apontada como preocupante diante da demanda de um município com aproximadamente 140 mil habitantes.
ORÇAMENTO.
Também foi destacado que o sistema opera com limitações de planejamento e enfrenta dificuldades para atender às diretrizes previstas em legislações como o Estatuto da Cidade, o Plano Diretor de Desenvolvimento Municipal (PDDM), a Lei Orgânica do Município e o Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
Outro ponto levantado na audiência foi a ausência de previsão orçamentária suficiente para a mobilidade urbana, apesar de o município figurar entre os de maior arrecadação do estado. Segundo os dados apresentados, cerca de R$ 4,4 milhões são destinados ao custeio da folha de pagamento de um sistema que opera com frota reduzida.
PROPOSTA DAS CRÔNICAS DO BOM VELHINHO.
Diante do cenário exposto, participantes defenderam a necessidade de ampliação do debate sobre mobilidade urbana no município. A proposta inclui a realização de um fórum técnico com a participação de especialistas, Ministério Público, AGERBA, OAB, universidades e entidades da sociedade civil organizada, com o objetivo de construir soluções estruturais e sustentáveis para o sistema de transporte de Simões Filho.

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