Meus inquietos e calejados leitores e pensantes chegamos ao 1º de abril, o consagrado Dia Internacional da Mentira. E, como manda a tradição em Simões Filho, a abertura oficial vem com ela, a fila do peixe um verdadeiro espetáculo matemático digno de estudo.
O prefeito Del do Cristo Rei anunciou, com entusiasmo digno de palanque, a distribuição de peixe para mais de 26 mil famílias simõesfilhenses. Fazendo aquela conta básica do “x1” — considerando uma média de quatro pessoas por família chegamos facilmente a mais de 100 mil pessoas beneficiadas, num município que, segundo o IBGE, tem pouco mais de 114 mil habitantes.
Ou seja, se depender da matemática oficial, quase ninguém vai ficar sem peixe.
Na prática é bom, na prática o que não falta é criatividade e tem gente que já prepara a tradicional moqueca de repolho com ovo, porque o peixe mesmo, esse anda mais difícil de achar do que promessa cumprida.
A CIDADE DA FILA
Simões Filho segue consolidando um título nada honroso a cidade onde tudo começa e termina na famosa fila, do transporte que não passa, fila da regulação que não resolve e fila da merenda que não alimenta, e agora, a fila do peixe que não alcança, e não é exagero. Basta olhar as imagens que circulam nas redes sociais: pessoas esperando desde a madrugada, sob sol, cansaço e resignação.
O que deveria ser uma ação social virou rotina de sofrimento.
PEIXE MINGUADO, PROPAGANDA GIGANTE...
Enquanto cidades vizinhas como Camaçari e Lauro de Freitas distribuíram cestas completas, com alimentos variados e organização mínima, em Simões Filho o modelo foi outro, um pacote de peixe por família e dias de espera nas filas intermináveis e, claro, o ingrediente principal, a já famosa política de vitrine.
Prefeito, vereadores e aliados se revezam na entrega, posam para fotos, gravam vídeos e alimentam a falsa popularidade, não o povo, mas as redes sociais e os grupos de WhatsApp com imagens bonitas. Tudo cuidadosamente registrado por uma tropa de “defensores oficiais” da gestão.
O NOVO TEMPO COM VELHAS ENCENAÇÕES
O chamado “Novo Tempo” parece ter herdado o roteiro antigo, assistencialismo travestido de política pública com exposição da população em situação de vulnerabilidade e uso da máquina pública como ferramenta de autopromoção, e há ainda o detalhe curioso, o prefeito anunciou uma força-tarefa com cerca de 300 voluntários, após decretar ponto facultativo em plena crise nos setores essenciais como: saúde, educação, infraestrutura e transporte.
Coincidência ou estratégia, fica a critério do leitor entender o que está acontecendo na sua cidade.
O MERCADO DO SOFRIMENTO.
Enquanto isso, o Mercado Municipal que deveria ser símbolo de desenvolvimento já virou palco de outro tipo de fila, a fila da madrugada para marcação de exames. Enquanto os comerciantes abandonados fazem denúncias de sujeira, ratos, baratas e descaso. Um verdadeiro “Mercado do Sofrimento”, onde o cidadão entra com esperança e sai com indignação.
E sobre a prometida limpeza administrativa?
A exoneração dos fantasmas e a dança das cadeiras, essas podem continuar esperando e sentadas.
Porque em pé mesmo só fica o povo na fila.
O POVO NÃO QUER FAVOR, QUER RESPEITO
O cidadão simõesfilhense não precisa de espetáculo, precisa sim de gestão pública de qualidade.
Não quer peixe uma vez por ano.
Quer dignidade todos os dias.
Porque, no fim das contas, a pergunta que ecoa nas ruas continua a mesma, até quando a necessidade do povo será usada como palco político.
FINAL (SEM PIADA, MAS COM IRONIA)
Se nas cidades vizinhas há planejamento, por que aqui há improviso e se lá há dignidade, por que aqui há fila? Simões Filho não pode continuar sendo a cidade da espera da saúde, do transporte, da educação e agora, até da fé.
Porque no mês da mentira, tudo pode até parecer normal, mas fora dele, fica difícil sustentar tanta “verdade oficial”, e assim segue o roteiro de muita promessa, pouca entrega e fila para conferir.

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