Por Alberto de Avellar - E, mais uma vez, Simões Filho, a cidade icônica dos absurdos, torna-se manchete nacional nas páginas policiais.
Desta vez, o episódio envolve uma personagem ligada ao alto escalão político do município. A mãe é vereadora e ex-secretária da Defesa dos Direitos da Mulher; o pai é ex-vereador e já ocupou pastas de grande importância e influência no governo municipal; o marido é ex-secretário de Cultura e foi agraciado com o título de Cidadão Simões-filhense, em novembro de 2025.
A acusada, com formação em nível superior, foi nomeada enfermeira na UPA do CIA e chegou a ser cogitada, em algumas ocasiões, para ocupar o cargo de coordenadora de Saúde do município. Ela foi conduzida em flagrante por supostamente comercializar drogas ilícitas, tendo em mãos uma dose da chamada “caneta do emagrecimento”, avaliada em mais de R$ 5 mil, além de possuir um estoque considerável do produto.
Fica, então, a pergunta que não quer calar: será possível que uma família da mais alta linhagem política simões-filhense não soubesse de absolutamente nada?
E aí surge a velha e dolorosa disparidade social.
Jovens — em sua maioria negros, vindos das favelas e dos guetos, frutos de uma cidade rica, mas sem oportunidades, sem educação, saúde, transporte, infraestrutura e principalmente sem geração de emprego e renda, que obriga os jovens a serem recrutados pelo lado obscuro da coisa para sobreviver — são presos ou executados sumariamente todos os dias, estampando as páginas policiais como:
• “meninos da boca”
• camelôs
• “elementos suspeitos”
• envolvidos com tráfico
• formação de quadrilha
• associação ao crime organizado
Entre outros rótulos e adjetivos que rapidamente lhes são atribuídos.
Mas, independentemente das versões e investigações que ainda virão, o escândalo já está posto. E quem acaba mais uma vez prejudicado é o próprio município de Simões Filho, que já figurou entre as cidades mais violentas do país, marcada por altos índices de mortes de jovens em situação de vulnerabilidade social.

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