Por Alberto de Avellar – Meus inquietos leitores de Simões Filho, a cidade icônica dos absurdos, onde rumores se transformam em realidade na velocidade da luz…
Na entrevista concedida ao amigo Binho Nunes, do site Ebuxixo, com o governador Jerônimo Rodrigues (PT) durante as festividades de Arembepe, o que se pôde observar foi um movimento político interessante nos bastidores.
Segundo os comentários que circulam nos meios políticos, Jerônimo teria feito um pedido não oficial ao senador Otto Alencar (PSD) para que o partido valorizasse e lançasse a verdadeira lenda viva da política de Simões Filho, o ex-prefeito Edson Almeida, carinhosamente conhecido como “Irmazinho”, como candidato a deputado estadual.
A ideia seria compor uma chapa com o mais novo filiado do PSD, Dr. Alfredo Assis, como candidato a deputado federal. A possível formação dessa dupla agradou bastante parte do eleitorado simõesfilhense e pode representar uma mudança significativa no tabuleiro da política municipal, que vive um momento crítico no que diz respeito à administração pública sob o comando do atual prefeito Devaldo Soares (União Brasil).
Após 15 meses de governo, muitos ainda afirmam que o prefeito “não disse a que veio”, mantendo práticas políticas associadas ao governo do ex-prefeito Diógenes Tolentino (Dinha), mesmo sob o discurso do projeto administrativo denominado “Novo Tempo”.
Dentro do cenário estadual, o governador também observa o cálculo político necessário para a formação de chapas competitivas. Para fortalecer seu projeto de reeleição — e também a base de apoio ao presidente da República — o governo precisa montar chapas fortes e bem distribuídas pelo interior da Bahia.
Pelos cálculos do quociente eleitoral, uma legenda que pretenda eleger cerca de seis deputados federais precisa alcançar aproximadamente 1 milhão de votos em todo o estado. Já para eleger oito deputados estaduais, o partido deve atingir algo em torno de 800 mil votos. Por isso, a busca por candidatos com forte densidade eleitoral segue intensa nos bastidores da política baiana.
Nesse contexto, um nome como Irmazinho, com grande capilaridade política e forte identificação popular em Simões Filho, poderia se tornar peça estratégica. Não por acaso, comenta-se que ele poderia ser levado “debaixo do braço” pelo governador em visitas às 417 cidades da Bahia, ajudando a consolidar votos para a chapa governista.
Caso essa articulação realmente se confirme, o cenário pode se tornar bastante complicado para a reeleição da deputada estadual Kátia Oliveira (União Brasil). Em 2022, ela obteve mais de 27 mil votos em Simões Filho, base eleitoral considerada fundamental para sua vitória.
Entretanto, os constantes escândalos políticos envolvendo seu esposo, o ex-prefeito Dinha, podem provocar desgaste eleitoral. Analistas locais avaliam que, em um cenário com Irmazinho candidato, a deputada poderia perder mais de 50% desse eleitorado.
Vale lembrar que, nas eleições municipais de 2024, Irmazinho obteve mais de 28 mil votos, demonstrando forte apoio popular. Para muitos observadores da política local, ele hoje aparece como um dos nomes com maior aceitação na sociedade simõesfilhense, superando inclusive lideranças tradicionais do grupo político estadual.
Diante desse quadro, a movimentação partidária promete se intensificar nas próximas semanas. A corrida por nomes competitivos segue em ritmo frenético até o dia 3 de abril, prazo final estabelecido pela legislação eleitoral para filiação partidária de quem pretende disputar as eleições.
Até lá, como já se diz nas esquinas políticas de Simões Filho: muita água ainda vai passar debaixo dessa ponte.

0 Comentários