Por Alberto de Avellar – Blog do Bom Velhinho: Com informações do BNews.
Meus inquietos leitores de Simões Filho — a cidade icônica dos absurdos, mais uma vez a realidade da educação municipal escancara um contraste que revolta professores, estudantes e pais de família.
Segundo matéria publicada pelo portal BNews, a Prefeitura de Simões Filho firmou, no último dia 6 de março de 2026, um contrato no valor de R$ 2.099.000,00 com o Instituto de Gestão Educação Política e Estratégia LTDA (GEPES) para gerir o ciclo de formação continuada da rede municipal de ensino.
O contrato tem validade de 12 meses e prevê a execução de diversos serviços pedagógicos e logísticos, entre eles:
• Diagnóstico educacional da rede;
• Planejamento pedagógico;
• Realização da Jornada Pedagógica;
• Organização do Fórum da Educação Municipal;
• Avaliação continuada;
• Assessoria técnica para a Secretaria de Educação;
• Fornecimento de materiais e kits pedagógicos.
A contratação foi realizada através do Pregão Eletrônico nº 001/2026, modalidade que prioriza o menor preço, e não necessariamente a qualidade técnica ou a experiência pedagógica da instituição.
O próprio BNews questionou a Prefeitura sobre a composição dos kits, a quantidade prevista e o valor unitário dos materiais, além de indagar por que a contratação ocorreu apenas em março, quando o ano letivo já estava em andamento — sendo que jornadas pedagógicas e planejamentos geralmente ocorrem antes do início das aulas.
Até o momento, os esclarecimentos oficiais seguem aguardados.
A OUTRA FACE DA EDUCAÇÃO MUNICIPAL COM HELIENE MOTA
Enquanto R$ 2 milhões são destinados à consultoria e kits pedagógicos, a realidade denunciada por professores e parlamentares municipais pinta um quadro bem diferente dentro das escolas.
O vereador Genivaldo Lima tem denunciado publicamente diversas situações preocupantes na rede municipal de ensino, entre elas:
• Falta de carteiras escolares em unidades da rede;
• Sanitários destruídos ou sem manutenção adequada;
• Salas de aula com ventiladores quebrados, agravando o calor enfrentado pelos estudantes;
• Merenda escolar de péssima qualidade, com relatos de alunos recebendo apenas dois biscoitos como refeição.
Ao mesmo tempo, os professores da rede municipal seguem sem reajuste salarial, recebendo apenas o piso nacional do magistério, sem a devida correção inflacionária.
Outro ponto constantemente citado pela categoria é o não cumprimento do Plano de Carreira do Magistério, reivindicação histórica da classe que permanece sem solução concreta.
A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR
Diante desse cenário, surge uma pergunta inevitável nas ruas, nas escolas e nas salas dos professores:
Como justificar um contrato de mais de R$ 2 milhões em consultoria educacional quando a estrutura básica das escolas apresenta tantas carências?
Porque formação pedagógica é importante — ninguém discute isso.
Mas talvez seja ainda mais urgente garantir cadeiras para os alunos sentarem, sanitários funcionando, ventilação adequada nas salas e merenda digna para as crianças.
Em Simões Filho, mais uma vez, parece que os números da propaganda caminham numa direção… enquanto a realidade das escolas segue em outra.
E como diria o velho cronista deste humilde blog:
“Educação não se faz com kit pedagógico milionário… se o aluno não tem sequer uma carteira para estudar.”
Fonte: Matéria publicada pelo portal BNews em 16 de março de 2026.

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