Por Alberto de Avellar - É verdade, meus amigos: Simões Filho é uma cidade com vários títulos. Um deles, talvez o mais emblemático, é o de “a cidade onde nada acontece”.
Aqui, os representantes eleitos se comportam como seres destemidos, quase deuses vivos, desafiando as Leis dos Homens e, pasmem, até as Leis de Deus — tudo isso com a maior cara de óleo de peroba já vista. E, no fim, fica tudo por isso mesmo.
Para piorar a situação, surgem os Zés Aruelas, saídos direto da casa do satanás, que não sabem escrever um “O” com o fundo do copo, mas são nomeados para defender esses verdadeiros milagres de percurso. Gente que só sabe cuidar do próprio umbigo e destruir a vida do povão — inclusive daqueles que os colocaram no poder.
No governo Eduardo Alencar, acionei o Poder Judiciário 258 vezes e protocolei mais de 1.500 pedidos de Mandado de Segurança por abuso de poder, além de ações por apreensão irregular de veículos.
No final da batalha jurídica, quem saiu vencedora foi a cidade de Simões Filho.
O Ministério Público firmou TAC – Termo de Ajuste de Conduta. Vieram a construção do PDDM, o Colegiado de Direitos Humanos e Cidadania, o Plano Diretor do Sistema de Transporte, a revogação de leis que afrontavam a Constituição e a sanção de outras dentro da legalidade.
Ao final de seu último governo (2012–2016), Eduardo Alencar deixou uma frota de 60 micro-ônibus, todos com menos de seis anos de fabricação, bilhetagem eletrônica, passes para estudantes e idosos, acessibilidade para pessoas com deficiência, horários e pontos definidos em mais de 25 bairros, inclusive os mais afastados da sede.
Em 2017, entrou o governo do slogan “Pensa Simões Filho”. E Simões Filho pensou tanto que acabou endeusando como alcaide Diógenes Tolentino (Dinha), que simplesmente destruiu tudo o que havia sido construído.
O sistema de transporte acabou. O direito de ir e vir virou ficção. O direito de locomoção se transformou em um verdadeiro caos urbano.
Presidentes, no plural de cooperativas, assassinados brutalmente, micro-ônibus e vans incendiadas em via pública, centenas e talvez milhares de trabalhadores, mães e pais de família senso presos, merdendo seus patrimônio, vivendo em estado de escravidão onde sua dignidade humana era desrespeitada pelos poderosos.
Nove anos se passaram, e Dinha recebeu o título popular de “O Inominável Adorador de Dinheiro Público e Poder” — uma definição que, em poucas palavras, resume sua administração desastrosa, perseguidora, escandalosa e autoritária, marcada por um dos maiores índices de corrupção e desvios de recursos públicos da história do município.
O resultado foi o processo por Abuso de Poder Econômico e Político, que hoje chega à sua fase final, sendo julgado na terceira instância, no TSE, em Brasília.
E desta vez, os Zés Aruelas, os arcanjos de Dinha, renegados pela sociedade simõesfilhense, têm toda a razão do mundo ao tentar defender o indefensável.
Mas fica a pergunta:
Para que tantos processos? O que mudou, de fato, na vida do povo da favela?
O povo continua desempregado, passando fome, sofrendo com serviços públicos precários. Mas tem Dinha — o “prefeitão”, a “máquina de trabalho”.
Na eleição, ele dá 100 conto, e o povo vota.
Na dura realidade, o cabra está certo. Há muita gente sem consciência coletiva, que vende o voto por migalhas e depois passa quatro anos reclamando nos grupos de WhatsApp e nas redes sociais dos péssimos serviços daquele mesmo político a quem vendeu a dignidade.
Aí vem o discurso pronto:
“Queremos uma cidade cada vez melhor,” de Dinha/Del.
“SIMÕES FILHO, A CIDADE ONDE NADA ACONTECE…”
E fica a pergunta que não quer calar:
Valeu a pena todo o desgaste com representações judiciais, processos e execuções? Valeu lutar por um povo que se vende por cem reais e esquece completamente do coletivo?

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