Há uma antiga reflexão, atribuída a um sábio filósofo, que afirma que o homem alcança a plenitude de sua existência quando consegue cumprir três missões: plantar uma árvore, ter filhos e escrever um livro.
Durante muitos anos pensei nessa frase. Hoje, olhando para trás, já com os cabelos embranquecidos pelo tempo e pela experiência, posso dizer, com serenidade, que Deus foi generoso comigo.
Plantei árvores. Muitas árvores. Cultivei jardins, flores e plantas. Sempre enxerguei na natureza um pedaço do próprio Criador. Cada muda colocada na terra era também uma semente de esperança.
Constituí minha família. Tive cinco filhos e a vida ainda me presenteou com a oportunidade de ajudar a criar outros sete. Vieram quinze netos, seis bisnetos e, se for da vontade de Deus, ainda quero abraçar meus primeiros tataranetos. Afinal, a vida continua florescendo através das gerações.
E o livro?
Percebi que não precisava publicá-lo em uma editora.
Escrevo esse livro todos os dias.
Cada reportagem, cada crônica, cada denúncia, cada fotografia, cada reflexão publicada nas Crônicas do Bom Velhinho tornou-se uma página dessa obra escrita a muitas mãos, porque nenhuma história existe sem leitores.
Nos últimos três anos foram 2.831 páginas escritas. Não são apenas números. São capítulos da história de Simões Filho, registrados com o compromisso de informar, provocar reflexões e preservar a memória do nosso tempo.
Segundo as estatísticas do Blogger/Google, mais de 3.286.685 acessos já passaram por esse espaço. Somente em julho de 2027, publiquei 66 matérias, que alcançaram 135.984 leitores. E, nas primeiras horas deste primeiro sábado de agosto, outras 1.527 pessoas já haviam iniciado a leitura das páginas dessa história.
São números que impressionam, mas confesso que o maior patrimônio não está nas estatísticas.
Está na confiança.
Está em cada leitor que compartilha uma matéria, comenta uma crônica, envia uma informação, faz uma crítica construtiva ou simplesmente reserva alguns minutos do seu dia para acompanhar aquilo que escrevo.
É essa confiança que dá sentido ao meu trabalho.
Vivemos em um mundo onde muitos acreditam que o dinheiro compra tudo. Outros passam a vida presos aos sete pecados capitais, imaginando que riqueza, poder e vaidade são eternos.
Mas a realidade é bem diferente.
Nascemos sem nada.
Partiremos sem nada.
Nenhuma conta bancária atravessa a eternidade. Nenhum cargo político, nenhuma medalha, nenhum patrimônio material acompanha o ser humano em sua última viagem.
O que permanece é o legado.
Permanecem as boas ações.
Permanecem os filhos, os amigos, as árvores que plantamos, as palavras que escrevemos e o bem que fizemos ao longo da caminhada.
Quando chegar o dia do grande encontro com o Criador, não acredito que Ele perguntará quanto dinheiro acumulamos ou quantos títulos conquistamos.
Acredito que perguntará quantas vidas ajudamos, quantas injustiças combatemos, quantas verdades tivemos coragem de dizer e quanto amor deixamos espalhado pelo caminho.
Se hoje posso olhar para trás com o coração em paz, é porque vocês fizeram parte dessa caminhada.
Por isso, minha gratidão é sincera.
Obrigado, Simões Filho.
Obrigado aos milhares de leitores desta cidade e aos seguidores espalhados pelo Brasil e pelo mundo.
Vocês transformaram as Crônicas do Bom Velhinho em muito mais do que um blog.
Transformaram-nas em um registro permanente da nossa história.
Enquanto Deus me conceder saúde, lucidez e coragem, continuarei escrevendo. Não para agradar poderosos, mas para servir à verdade, preservar a memória da nossa cidade e honrar a confiança de cada leitor.
Que Deus abençoe a todos.
Por Alberto de Avellar
Crônicas do Bom Velhinho

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